quarta-feira , 25 fevereiro 2026
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Apesar das Mudanças Climáticas, Hoje é a Melhor Época para Nascer e Viver

Por Enio Fonseca e Decio Michellis Jr

“Direito ambiental é um direito transgeracional – isso mesmo! Protege a vida e quem ainda não nasceu.”
(Prof. MsC Maurício Fernandes da Silva)

Direito ambiental é um direito transgeracional … protege … quem ainda não nasceu” capta o núcleo ético desse ramo jurídico: ele não se limita aos interesses imediatos das pessoas que vivem hoje, mas também incorpora a proteção de interesses de futuras gerações. Em outras palavras, o direito ambiental não só protege a vida e qualidade ambiental dos que estão vivos, mas assegura que aqueles que nascerão mais tarde tenham seus próprios direitos fundamentais garantidos, como o acesso a um ambiente saudável, seguro e sustentável. O direito ambiental exige políticas e práticas que não apenas preservem recursos hoje, mas garantam condições de vida digna no futuro.
Existem muitos motivos para considerar que vivemos uma época incrível para nascer. As tecnologias avançadas e a globalização trazem oportunidades sem precedentes para o desenvolvimento pessoal e profissional. A conectividade e o acesso à informação permitem que as pessoas aprendam, criem e se conectem com outras ao redor do mundo de maneiras que antes eram inimagináveis. As mudanças climáticas têm impulsionado inovações e ações em direção a um futuro mais sustentável.
BOUDRY, Maarten publicou um artigo “Despite Climate Change, Today Is the Best Time To Be Born” (Apesar das mudanças climáticas, hoje é a melhor época para nascer) que nos inspirou a fazer uma livre adaptação e atualização que apresentamos a seguir. ()
O momento presente se destaca como a era mais promissora e esperançosa, apesar da ansiedade generalizada em relação ao clima. Os avanços na tecnologia, na saúde e no desenvolvimento econômico melhoraram drasticamente os padrões de vida, tornando este o melhor momento da história para começar uma vida.
Os avanços tecnológicos e o aumento da prosperidade tornaram hoje amplamente acessíveis muitos bens e experiências que estavam disponíveis exclusivamente para os indivíduos mais ricos há um século.
O automóvel, outrora um artigo de luxo pertencente apenas à elite, tornou-se um meio de transporte comum, e as viagens aéreas modernas permitem agora que os indivíduos da classe média percorram o mundo de maneiras que um milionário de 1925 só poderia sonhar.
Há um século, a comunicação instantânea a longa distância exigia riqueza significativa ou infraestrutura governamental (telégrafos/primeiros telefones). Hoje, um smartphone, um dispositivo relativamente barato, oferece comunicação global, acesso à informação e capacidades de entretenimento que superam em muito qualquer coisa disponível até mesmo para os indivíduos mais ricos daquela época.
Os avanços médicos, desde antibióticos e vacinação generalizada até técnicas cirúrgicas complexas e ferramentas de diagnóstico como ressonâncias magnéticas, eram inexistentes ou experimentais há um século. Esses tratamentos são agora prática padrão e amplamente acessíveis, aumentando significativamente a expectativa de vida e a qualidade de vida da população em geral.
O acesso a uma vasta biblioteca de informações e entretenimento global era restrito àqueles que possuíam bibliotecas particulares ou meios para viajar. A internet e os serviços de streaming proporcionam acesso instantâneo e acessível a uma quantidade incomparável de mídia, educação e notícias.
Itens do dia a dia, como refrigeração, aquecimento central e iluminação elétrica, eram luxos raros e caros no início do século XX. Hoje, esses são recursos padrão na maioria das casas, reduzindo significativamente o trabalho manual e melhorando o conforto para a pessoa média.
Essa democratização da tecnologia remodelou fundamentalmente a sociedade, trazendo conforto, conveniência e oportunidades sem precedentes para um segmento muito mais amplo da população.
A tecnologia permitiu avanços significativos na gestão de recursos, produtividade e comunicação. Ferramentas de gestão de projetos, colaboração em tempo real, inteligência artificial e automação estão revolucionando como trabalhamos e vivemos.
Cinquenta anos atrás, em 1973, a taxa global de mortalidade infantil era três vezes e meia maior do que hoje, e em 1923, era quase nove vezes maior. O passado distante foi ainda pior. Em toda a história humana até a Revolução Industrial, pelo menos três em cada 10 crianças morreram antes de completar cinco anos. No último meio século, a pobreza extrema também foi reduzida, pela primeira vez na história: enquanto nove em cada 10 pessoas eram extremamente pobres antes da Revolução Industrial, hoje as proporções estão invertidas: menos de uma em cada 10 está abaixo do nível de pobreza absoluta.
Em 1800, a expectativa de vida mundial era de 28,5 anos. Em 2021, esse número subiu para 72,6 anos e, nos países mais ricos do mundo, para bem mais de 80 anos. A diferença entre a expectativa de vida dos países mais ricos e mais pobres continua diminuindo, inclusive, notadamente, na África e na Ásia.
O Índice de Abundância de Simon (SAI) mede a relação entre a abundância de recursos e a população. Ele converte a abundância per capita de 50 produtos básicos e o tamanho da população global em um único valor. O índice teve início em 1980 com um valor base de 100. Em 2024, o SAI atingiu 618,4, indicando que os recursos se tornaram 518,4% mais abundantes nos últimos 44 anos. Todos os 50 produtos no conjunto de dados eram mais abundantes em 2024 do que em 1980. A abundância global de recursos aumentou a uma taxa de crescimento anual composta de 4,22%, dobrando a cada 17 anos. Apesar dos desastres naturais, da turbulência política e das guerras desde 1980, a abundância de recursos continuou a aumentar mais de seis vezes mais rápido do que o crescimento populacional — um fenômeno que chamamos de “superabundância”. (Gale L. Pooley, Marian L. Tupy)
A produção de alimentos é mais eficiente e diversificada, com acesso ampliado a nutrientes essenciais. Tecnologias agrícolas e cadeias globais de distribuição permitem maior disponibilidade de alimentos em diferentes regiões.
Infraestruturas urbanas modernas oferecem saneamento, energia elétrica, transporte e comunicação em níveis nunca antes vistos.
A consciência sobre saúde mental e bem-estar cresceu, ampliando políticas de apoio.
Despoluição do Rio Pinheiros em São Paulo: foram investidos US$ 330 milhões iniciando pelo córrego Zavuvus, com a instalação de 280 km de rede de esgoto e dois milhões de moradores deixaram de despejar esgoto no rio Pinheiros. A margem do rio está mais agradável e atrai mais atividades de lazer e turismo. Agora, os ciclistas que percorrem os 21 quilômetros da ciclovia também se beneficiam do ar mais limpo. O objetivo do programa é garantir que a demanda bioquímica de oxigênio (DBO) não exceda 30 mg/l foi alcançado em todo o córrego Zavuvus, que se estende por 7,8 quilômetros.
O Brasil subiu cinco posições no ranking global do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, impulsionado por melhorias na renda e na saúde, apesar da estagnação na educação. O Banco Mundial projetou um crescimento do PIB brasileiro para 2,4% em 2025, acima da média da América Latina e Caribe.
O Brasil colherá 354,8 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, segundo estimativa da Companhia Nacional Abastecimento (CONAB). Em termos de área serão 84,4 milhões de hectares, com produtividade média nacional estimada em 4,2 mil quilos por hectare o que corresponde a um crescimento de 3,3% na comparação com a safra anterior.
O crescimento econômico em 2025 desafiou as expectativas pessimistas. A atividade econômica real manteve-se notavelmente resiliente. Os analistas agora esperam um crescimento global de cerca de 2,7%.
A pobreza na América Latina caiu quase pela metade em 20 anos, de 58% para 30%.
Hoje, menos de 9% da humanidade vive com uma renda igual ou inferior a cerca de US$ 2 por dia, o padrão de vida que consideramos extrema pobreza, uma queda significativa em relação aos aproximadamente 70% em 1870. E mesmo entre esses 9%, muitos têm acesso a tecnologias de saúde pública e comunicação por telefonia móvel de imenso valor e poder.
Muitas invenções tecnológicas do século passado transformaram experiências que antes eram raras e luxos valiosos, disponíveis apenas para alguns ricos, em características da vida moderna que consideramos tão banais que não figurariam nem entre as 20 ou mesmo as 100 principais em uma lista do que consideramos ser nossa riqueza. Muitos de nós nos acostumamos tanto com nosso nível diário de felicidade que ignoramos completamente algo surpreendente.
Cientistas e engenheiros estão encontrando maneiras de transformar poluição e resíduos em recursos valiosos. Da recuperação de fertilizantes de lagos tóxicos à criação de embalagens biodegradáveis a partir de resíduos agrícolas, a inovação está transformando problemas ambientais em oportunidades de crescimento. Ao reimaginar o lixo como um recurso, podemos tornar o planeta mais limpo, impulsionando novas indústrias e empregos. Desde 1970, os Estados Unidos reduziram os principais poluentes atmosféricos em 78%, ao mesmo tempo que aumentaram o Produto Interno Bruto (PIB) em 321%. O Protocolo de Montreal eliminou 99% das substâncias que destroem a camada de ozônio, evitando o câncer de pele para aproximadamente dois milhões de pessoas a cada ano. A chuva ácida, cujo combate se previa custar US$ 6 bilhões anualmente, foi solucionada por menos de US$ 2 bilhões por ano. Essas conquistas não foram alcançadas com o abandono da vida moderna, mas sim tornando-a mais limpa e eficiente. (Aditya Goyal)
Apesar dos temores generalizados sobre o futuro — desde o colapso apocalíptico até o esgotamento de recursos — a história da humanidade demonstra um padrão consistente de progresso e resiliência. Inúmeras vezes, previsões de desastres foram refutadas pela inovação e adaptação. Embora ainda existam desafios, os dados mostram claramente que os padrões de vida globais estão aumentando — e que o medo muitas vezes fica aquém da realidade. Nem tudo é perfeito. Afinal, temos guerras, terroristas, mudanças climáticas e por aí vai. Mas quando pergunto a qualquer pessoa: “Quem gostaria de voltar magicamente ao mundo de um século atrás, sem direito de retornar a 2025?”, ninguém se interessa. (Wojciech Janicki)
A população mundial chegou a 8,3 bilhões de pessoas. Os recursos tornaram-se mais abundantes. A abundância de recursos pessoais cresceu a uma taxa de 3,1% ao ano, dobrando assim a cada 22,6 anos aproximadamente. A abundância global de recursos cresceu a uma taxa de 4,4%, dobrando assim a cada 16 anos. Nunca ficaremos sem recursos. O suprimento de minerais é teoricamente finito, mas o conhecimento e a criatividade humanos são ilimitados. Quando o preço de um recurso aumenta, as pessoas têm um incentivo para encontrar novas fontes dele. Os geólogos pesquisaram apenas uma fração da crosta terrestre, sem falar no fundo do oceano. À medida que as tecnologias de levantamento e extração melhoram, geólogos e engenheiros irão mais fundo, mais rápido, mais barato e mais limpo para alcançar minerais até então intocados. A inovação cria oportunidades de substituição. Novos conhecimentos não são limitados pelos limites físicos do nosso planeta, mas pelo número de pessoas que são livres para pensar, falar, associar, investir e lucrar com suas ideias e invenções. (Marian L. Tupy)
O progresso humano não significa que tudo se torna melhor para todos, em todos os lugares, o tempo todo. Isso seria um milagre, e o progresso não é um milagre, mas sim a resolução de problemas. E por trás das manchetes sensacionalistas que capturam a atenção do público, milhões de pessoas inteligentes e trabalhadoras em todo o mundo estão fazendo exatamente isso. (Steven Pinker)
O verdadeiro estado do mundo é muito melhor do que aparenta, considerando a enxurrada de negatividade a que o público é exposto diariamente.
Em quase todos os aspectos, o mundo é um lugar muito melhor para se nascer agora do que em qualquer outro momento da história.
A realidade sobre o aquecimento global é, na verdade, muito melhor do que você imagina. Se você consumiu uma dose nada saudável de pornografia catastrófica sobre o clima, provavelmente acabou tendo uma visão do futuro muito mais sombria e aterrorizante do que o cientificamente plausível.
A principal razão pela qual os economistas do clima esperam que os efeitos negativos das mudanças climáticas sejam superados por desenvolvimentos positivos é a engenhosidade humana. Nossa espécie sempre desenvolveu soluções inteligentes para nos proteger contra os elementos naturais, povoando muitas regiões da Terra que seriam “inabitáveis” sem tecnologia, mas especialmente nos últimos dois séculos, nosso domínio sobre a natureza alcançou sucessos espetaculares. A melhor ilustração é aquela que está na mente de todo catastrofista climático: desastres naturais. Apesar do que todos acreditam e do que todas as manchetes sensacionalistas estão dizendo, as mortes globais por milhão de pessoas devido a desastres naturais caíram por um fator de 100 no último século. A Mãe Natureza se tornou mais violenta e caprichosa nos últimos anos (pelo menos quando se trata de furacões e inundações, embora não de terremotos ou erupções vulcânicas), mas isso torna nossa conquista ainda mais impressionante.
Nas ocasiões restantes em que as notícias relatam uma inundação ou furacão que causou dezenas de milhares de vítimas, a explicação é quase sempre a pobreza e, portanto, a falta de resiliência. Para países ricos e resilientes, uma onda de calor ou furacão é geralmente pouco mais do que um inconveniente ou incômodo administrável na pior das hipóteses, mas para países pobres pode significar fome, falta de moradia e morte em grande escala.
Quando o pai fundador de Cingapura, Lee Kuan Yew, foi questionado sobre o que possibilitou o milagre econômico da cidade-estado tropical (seu PIB per capita é 65% maior que o dos EUA), sua resposta foi simples: ar-condicionado moderno. Mesmo nos EUA, cidades como Phoenix ou Las Vegas seriam virtualmente inabitáveis sem resfriamento artificial.
Os imensos benefícios da inovação humana são igualmente evidentes no extremo oposto da escala de temperatura: quatro milhões de pessoas vivem atualmente acima do Círculo Polar Ártico, onde as temperaturas do inverno podem matar qualquer ser humano sem tecnologia de proteção suficiente — de roupas a isolamento — em uma hora.
As mudanças climáticas causarão alguns danos aos sistemas de produção de alimentos, pelo menos em algumas regiões, em comparação com um mundo sem mudanças climáticas (embora definitivamente também beneficiem algumas regiões). Mas em qualquer cabo de guerra entre o clima e a engenhosidade humana, seria aconselhável apostar na última. No último meio século, fertilizantes artificiais, irrigação, modificação genética e colheita mecanizada tornaram a agricultura muito mais resiliente contra extremos climáticos, quadruplicando a produção global de alimentos, mesmo com a Terra aquecendo em 1,2 graus Celsius. Graças à globalização do nosso sistema alimentar, as fomes são agora, em grande parte, uma coisa do passado, e as únicas que permanecem são causadas por conflitos políticos e má gestão.
Cada vez mais climatologistas estão começando a se opor ao pessimismo excessivo e, especialmente, ao derrotismo em relação ao clima, mas, francamente, eles deveriam assumir parte da culpa por enganar o público. Durante anos, publicações científicas sérias tenderam a se concentrar nas previsões mais dramáticas e nos cenários mais atípicos.
Mas agora que finalmente escapamos de milhares de anos de trabalho árduo e sofrimento e entramos em uma era de abundância, seria bizarramente autoindulgente imaginar que hoje, de todos os tempos, é o momento errado para nascer.
A segurança energética e a confiabilidade na oferta de energia elétrica aumentam a eficiência dos sistemas de ar-condicionado, climatizadores, ventiladores e aquecedores. Técnicas construtivas e materiais de revestimento bem como peças de vestuário adequadas à cada estação do ano aumentam o conforto térmico. Saneamento básico (medidas e ações que visam garantir condições de higiene e saúde pública, através do controle e tratamento de elementos ambientais como água, esgoto, resíduos sólidos e drenagem urbana) e saneamento ambiental (ações e políticas que visam a sustentabilidade e qualidade dos recursos naturais, conservação e recuperação do meio ambiente, incluindo a qualidade do ar, água, solo e a gestão de resíduos de forma sustentável, além da promoção da educação ambiental), aumentam a expectativa de vida.
Existe diferentes causas que podem nos levar à morte. Mas os extremos climáticos não estão no topo da lista. As mortes por frio são 10 vezes maiores que as mortes por calor. Porém, os extremos climáticos contribuíram direta ou indiretamente com menos de 9 % das causas de morte no mundo:

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O sábio rei Salomão registrou no livro de Eclesiastes (7:1) na Bíblia, a frase “melhor o dia da morte do que o dia do nascimento” explorando a natureza transitória da vida e a busca pelo significado em um mundo imperfeito. Como sabedoria e reflexão, o dia da morte pode ser mais proveitoso para a pessoa do que o dia do nascimento. Não que a morte seja preferível à vida, mas sim que a morte nos leva a refletir sobre o propósito da vida, a mortalidade e a importância de viver de forma significativa. Um estímulo para a reflexão e a busca por um sentido mais profundo na vida. O dia da morte nos confronta com a realidade da nossa própria mortalidade, levando-nos a questionar o propósito da nossa existência e a importância de viver de acordo com valores pessoais e éticos elevados. Faça a diferença, seja a diferença com a sua existência, seus propósitos e suas ações!

Sociedade Energointensiva

Uma sociedade energointensiva é aquela que utiliza uma grande quantidade de energia para sustentar suas atividades econômicas, tecnológicas e o padrão de vida de sua população. O desenvolvimento tecnológico e o crescimento industrial estão intrinsecamente ligados a um aumento do consumo de recursos energéticos.
A sociedade moderna, em geral, é energointensiva, pois depende da eletricidade e de outras fontes de energia para praticamente todas as atividades, desde a produção industrial até o uso doméstico e o transporte.
A energia é considerada um motor fundamental do desenvolvimento econômico e social. Sem acesso a ela, atividades produtivas, educacionais e de saúde seriam severamente prejudicadas.
Setores industriais específicos são classificados como “energointensivos”, ou seja, demandam muita energia para seus processos de produção (como as indústrias química e siderúrgica).
Historicamente, a melhora no padrão de vida em uma sociedade tem sido acompanhada por um aumento na disponibilidade e no consumo de energia, possibilitando avanços como a refrigeração de alimentos e medicamentos, iluminação noturna e o uso de tecnologia.
A definição de energia é a capacidade de fazer trabalho. Sem energia, nenhum trabalho é feito. Essa realidade inescapável da física faz da energia o ingrediente invisível em tudo. A realidade inescapável de nossas vidas modernas é que tudo a que estamos acostumados usa grandes quantidades de energia. Quando tornamos a energia mais cara, tudo se torna mais caro. Quando a energia se torna mais escassa ou menos confiável, tudo se torna mais escasso, e as cadeias de suprimentos se tornam menos confiáveis.
De acordo com a IEA (Agência Internacional de Energia) o mundo consumiu 654 EJ (exajoules) de energia em 2024. Equivale a 1,5620521639438 x 10^20 calorias. Individualmente equivale a 51.783 kcalorias per capita/dia. Se considerarmos que um ser humano precisa de no mínimo 1.800 kcalorias/dia, são 29 vezes o consumo diário mínimo recomendado ou 24 vezes para uma dieta de referência de 2.200 kcalorias/dia.
Se consideramos apenas os EUA os valores são impressionantes: são 176.116 kcalorias per capita/dia. Se considerarmos que um ser humano precisa de no mínimo 1.800 kcalorias/dia, são 98 vezes o consumo diário mínimo recomendado ou 80 vezes para uma dieta de referência de 2.200 kcalorias/dia.
O Brasil está um pouco acima da média mundial: são 56.581 kcalorias per capita/dia. Se considerarmos que um ser humano precisa de no mínimo 1.800 kcalorias/dia, são 31,4 vezes o consumo diário mínimo recomendado ou 26 vezes para uma dieta de referência de 2.200 kcalorias/dia.
Somos uma sociedade energointensiva, com todos os confortos proporcionados pela tecnologia moderna e cada vez mais dependentes de energia (elétrica, hidrocarbonetos – óleo e gás, biomassa etc.)
Infelizmente, muitos parecem ter esquecido que a comida não vem do supermercado e a eletricidade não vem da tomada, ignorando toda a cadeia produtiva associada. Para muitos, nossa abundância de comida e energia é tão boa quanto mágica – ela simplesmente aparece quando necessária. Como resultado, eles elegeram governos que trataram os produtores de alimentos e energia como párias, fazendo com que as contas de supermercado, eletricidade e climatização (processo de controle e ajuste das condições do ar em um ambiente interno [temperatura, umidade, circulação e qualidade] para garantir conforto térmico, bem-estar e saúde para as pessoas, usando sistemas que podem aquecer, resfriar, ventilar, umidificar ou desumidificar o ar) sejam mais altas do que o necessário. Essas consequências negativas continuarão até que a política melhore.

Conclusões

Nascer hoje significa ter acesso a mais saúde, longevidade, oportunidades e qualidade de vida do que em qualquer outro momento da história. O grande desafio é equilibrar esse progresso com a sustentabilidade ambiental. Em outras palavras: vivemos a melhor época para nascer, mas também a mais responsável, pois o futuro depende das escolhas feitas agora. São desafios ligados à sustentabilidade e ao impacto ambiental da produção intensiva.
As mudanças climáticas antropogênicas representam um sério desafio global, mas esta não é a primeira vez que a humanidade enfrenta um problema desse tipo. Cinquenta anos atrás, as pessoas não se preocupavam com o aumento das temperaturas, mas outras ameaças globais instigavam medos e previsões apocalípticas, incluindo a radiação ultravioleta mortal (devido ao crescente buraco na camada de ozônio), a fome em massa (devido à superpopulação) e a poluição catastrófica do ar e da água (devido à industrialização e à superpopulação). Se essas ameaças não exercem mais influência sobre nossa imaginação, é porque foram praticamente solucionadas desde então, pelo menos nos países ricos, por meio de inovações engenhosas e sem sacrificar nossos padrões de vida.
Em termos de desafios globais, eliminar gradualmente os clorofluorcarbonos em sprays e refrigeradores é muito mais fácil do que eliminar os combustíveis fósseis, que permeiam toda a nossa economia e têm inúmeras aplicações úteis. Mas, por outro lado, nossa posição inicial é muito mais forte do que nunca na história, porque nossa resiliência e engenhosidade nunca foram tão grandes e continuarão a crescer. Se você duvida da ética de trazer uma nova vida ao planeta em 2026, deve perceber que, por esse padrão, nunca foi ético gerar um bebê, em lugar nenhum. Trazer uma vida ao mundo sempre foi um ato de esperança, muitas vezes contra todas as probabilidades.
Mas agora que finalmente escapamos de milhares de anos de labuta e sofrimento e entramos em uma era de abundância, seria estranhamente egocêntrico imaginar que hoje, de todos os tempos, seja o momento errado para nascer e viver. As palavras ditas por Barack Obama em 2016 ainda ressoam hoje, não importa o quão ruins as mudanças climáticas possam se tornar: “Se você tivesse que escolher um momento na história para nascer, sem saber de antemão quem você seria, escolheria agora”. Embora só possamos ver o futuro através de um vidro escuro, mesmo com nossos melhores modelos científicos, o ano de 2026 promete ser o melhor momento da história (até agora) para trazer uma criança ao mundo. O crescimento econômico garantirá um futuro abundante.
Projeções indicam que avanços em biotecnologia e medicina personalizada podem elevar a expectativa de vida média para além dos 85 anos em muitos países. Terapias genéticas e inteligência artificial aplicada à saúde devem reduzir a incidência de doenças crônicas.
Se os avanços continuarem, é possível que a longevidade ultrapasse os 100 anos em várias regiões. Porém, isso dependerá da capacidade de manter sistemas de saúde acessíveis e sustentáveis.
O trabalho pode ser radicalmente diferente, com automação avançada e maior valorização de criatividade, gestão de dados e inovação social. Cidades inteligentes, conectadas e sustentáveis devem oferecer melhor infraestrutura, transporte limpo e acesso digital universal.
As tecnologias emergentes — como Inteligência Artificial (IA), biotecnologia e energias renováveis — já estão moldando profundamente a vida da geração atual e terão efeitos ainda mais marcantes nas próximas décadas.
A IA hoje já acelera pesquisas genéticas, identificando mutações e sugerindo terapias personalizadas, para um sem número de doenças.
Algoritmos já ajudam a prever como células respondem a medicamentos, reduzindo tempo e custo de desenvolvimento.
No futuro avançaremos ainda mais na medicina preventiva altamente personalizada, com tratamentos desenhados para cada indivíduo, com avanços na criação de órgãos artificiais otimizados por IA, com aumento da longevidade e da qualidade de vida.
Na agricultura, novos cultivares adaptadas a ambientes extremos (seca, calor intenso, solos pobres) estão aumentando a resiliência produtiva, aliadas à conservação dos ecossistemas, buscando maior eficiência e eficácia na produção de alimentos saudáveis.
A qualidade de vida dependerá da capacidade de equilibrar tecnologia com bem-estar humano. O futuro será promissor se a humanidade utilizar sua capacidade tecnológica e econômica de forma inteligente e sustentável. O futuro é o resultado de escolhas humanas — econômicas, políticas, tecnológicas e sociais — o que reforça a necessidade de um quadro jurídico e ético robusto que torne essas escolhas responsáveis perante as gerações futuras. Nascer e viver hoje é um privilégio!

Enio Fonseca – Engenheiro Florestal, Senior Advisor em questões socioambientais, Especialização em Proteção Florestal pelo NARTC e CONAF-Chile, em Engenharia Ambiental pelo IETEC-MG, em Liderança em Gestão pela FDC, em Educação Ambiental pela UNB, MBA em Gestão de Florestas pelo IBAPE, em Gestão Empresarial pela FGV, Conselheiro do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico, FMASE, foi Superintendente do IBAMA em MG, Superintendente de Gestão Ambiental do Grupo Cemig, Chefe do Departamento de Fiscalização e Controle Florestal do IEF, Conselheiro no Conselho de Política Ambiental do Estado de MG, Ex Presidente FMASE, founder da PACK OF WOLVES Assessoria Ambiental, foi Gestor de Sustentabilidade Associação Mineradores de Ferro do Brasil e Diretor Meio Ambiente e Relações Institucionais da SAM Metais. Membro do Ibrades, Abdem, Adimin, Alagro, Sucesu, CEMA e CEP&G/ FIEMG e articulista do Canal direitoambiental.com.

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Decio Michellis Jr. – Licenciado em Eletrotécnica, com MBA em Gestão Estratégica Socioambiental em Infraestrutura, extensão em Gestão de Recursos de Defesa e extensão em Direito da Energia Elétrica, é assessor técnico do Fórum do Meio Ambiente do Setor Elétrico – FMASE e especialista na gestão de riscos em projetos de financiamento na modalidade Project Finance.

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