domingo , 20 setembro 2026
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A nova fronteira da sobrevivência: IA, Guerra e Sustentabilidade

Enio Fonseca e Decio Michellis Jr.

“”Viver é muito perigoso… Porque aprender a viver é que é o viver mesmo…”
(Guimarães Rosa)

“Viver é muito perigoso” é uma das profundas reflexões de João Guimarães Rosa, repetida como um mantra pelo personagem principal Riobaldo, em sua obra-prima, “Grande Sertão: Veredas”. Mais do que um lamento pessimista, a frase postula um profundo significado filosófico e existencial sobre a condição humana:

O futuro imprevisível: a vida não vem com um manual e o perigo reside na mutabilidade: “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” (Grande Sertão: Veredas)

A evolução contínua: a vida se manifesta no fluxo constante de escolhas e em seus desdobramentos inevitáveis, a vida se faz no movimento, na dinâmica de deliberar, agir e responder por cada ato.

A batalha silenciosa entre a virtude e as trevas: o maior perigo vem de dentro do próprio homem, a ambiguidade moral e o medo de errar.

A coragem não consiste na inexistência do medo, mas no ato deliberado de assumir os riscos indispensáveis para a construção de uma existência próspera e segura. Diante da rápida evolução tecnológica, o verdadeiro perigo consiste em estagnar no meio da jornada e abrir mão de uma vida plena e inovadora.

O Livro de Daniel, um dos livros do Tanakh (visão judaica) ou do Antigo Testamento (visão cristã) da Bíblia, foi escrito pelo próprio profeta Daniel, durante o exílio do povo judeu na Babilônia. Ele profetizou a mais de 2.500 anos (entre 536 e 530 a.C.): “…muitos correrão de uma parte para outra, e o conhecimento se multiplicará.” (Daniel 12:4b | ACF)
Estamos vivendo uma transição do crescimento linear do conhecimento humano para o crescimento exponencial do conhecimento humano: até o ano 1 d.C. levava cerca de 1.500 anos para dobrar, nos dias atuais o intervalo médio caiu para cerca de 13 meses, sendo ainda mais rápido em áreas específicas. Estimativas indicam que a internet global gera, consome e armazena cerca de 221 zettabytes (ZB) de dados ou 221 bilhões de terabytes (TB) e crescendo (set 2026). Desse universo massivo, estima-se que o Google Search tenha indexado menos de 5% do tamanho total da internet.
“Buckminster Fuller criou a “Curva de duplicação do conhecimento”; ele observou que até 1900 o conhecimento humano duplicava aproximadamente a cada século. No final da Segunda Guerra Mundial, o conhecimento estava a duplicar a cada 25 anos. Atualmente, as coisas não são tão simples, pois os diferentes tipos de conhecimento têm diferentes taxas de crescimento. Por exemplo, os conhecimentos em nanotecnologia estão a duplicar de dois em dois anos e os conhecimentos clínicos de 18 em 18 meses.

Mas, em média, o conhecimento humano está a duplicar a cada 13 meses.” De acordo com IBM, a construção da “Internet das coisas” conduzirá à duplicação do conhecimento a cada 12 horas.” ()

A Inteligência Artificial pode executar tarefas, utilizar ferramentas, acessar redes, escrever código, identificar vulnerabilidades e coordenar ações com níveis crescentes de autonomia. Em julho de 2026, incidentes envolvendo agentes de IA que conseguiram escapar de ambientes de teste, acessar a internet e explorar vulnerabilidades passaram a alimentar uma discussão que deixou de ser puramente hipotética.

Em setembro de 2026, os principais laboratórios ocidentais passaram a discutir publicamente a necessidade de “desacelerar” a fronteira da IA, enquanto Washington enfatiza a competição com a China e Pequim interpreta o movimento como potencial instrumento de contenção tecnológica:

Evan Hubinger, pesquisador de segurança e líder de alinhamento da Anthropic, afirmou considerar superior a 10% a possibilidade de a inteligência artificial provocar a morte de todos os seres humanos na próxima década. Não se trata de uma previsão científica consensual, ou de uma probabilidade que possa ser calculada como a de um evento físico convencional. É uma avaliação subjetiva de risco e deve ser tratado com enorme cautela.

Dario Amodei, CEO da Anthropic, defendeu publicamente que a indústria de IA desacelere o desenvolvimento de sistemas de fronteira para permitir que os mecanismos de segurança alcancem o ritmo da inovação. Amodei propôs três linhas de ação: avaliadores independentes de segurança, coordenação entre empresas de fronteira e cooperação internacional para reduzir riscos. A proposta recebeu apoio de nomes como Sam Altman e Elon Musk (os fabricantes do foguete começaram a discutir se deveriam reduzir a velocidade antes de descobrir para onde ele está indo?), enquanto outros especialistas questionam se uma simples desaceleração seria suficiente.
Nate Soares, presidente do Machine Intelligence Research Institute, declara que sua preocupação não é necessariamente que uma IA “odeie” os seres humanos, mas que uma inteligência extremamente poderosa possa perseguir objetivos próprios de maneira incompatível com os interesses humanos. O cenário extremo descrito envolve sistemas capazes de utilizar infraestrutura automatizada para expandir-se e consumir recursos em escala planetária.

Nello Cristianini, professor da Universidade de Bath, considera que a questão decisiva não é apenas a inteligência atual dos sistemas, mas a eventual chegada de mecanismos capazes de acelerar seu próprio desenvolvimento. Ou seja, uma aceleração ainda maior (autoaperfeiçoamento recursivo – self-improvement) justamente quando os mecanismos de controle permanecem mais lentos. Se uma IA puder utilizar sua capacidade para projetar sistemas de IA melhores do que ela própria, e esses novos sistemas puderem desenvolver versões ainda melhores, cria-se um ciclo potencialmente acelerado de melhoria, o chamado autoaperfeiçoamento recursivo. Hoje, o desenvolvimento ainda depende predominantemente de seres humanos, equipes de engenharia, pesquisadores, infraestrutura computacional e decisões empresariais. Mas quanto tempo teremos para compreender uma geração antes que ela produza a seguinte?

Os riscos mais imediatos são bem mais prosaicos: fraudes automatizadas, manipulação de informação, operações de influência, ataques cibernéticos, vigilância em escala, engenharia social, concentração de poder, desenvolvimento de armas autônomas, dependência tecnológica, desemprego estrutural em determinadas atividades e erosão da capacidade humana de distinguir informação verdadeira de informação artificialmente produzida.

A Inteligência Artificial é o novo teste de sustentabilidade da humanidade

A sustentabilidade carrega uma contradição: precisamos de mais tecnologia para enfrentar problemas criados ou agravados pela própria tecnologia, como administrar sistemas cada vez mais complexos: energia, água, alimentos, cidades, transporte, clima, saúde, cadeias produtivas, biodiversidade e infraestrutura.

A IA pode representar um salto extraordinário nessa capacidade. Pode acelerar a descoberta de medicamentos, otimizar redes elétricas, melhorar previsão meteorológica, reduzir desperdícios agrícolas, identificar vazamentos de água, aperfeiçoar materiais, administrar sistemas industriais e ajudar a antecipar eventos climáticos extremos.

A mesma tecnologia pode ser utilizada para fraude, manipulação, espionagem, ataques cibernéticos, vigilância, desenvolvimento militar e automatização de conflitos.

E quanto maior a autonomia dos sistemas, menor pode ser a distância entre uma decisão humana e uma consequência produzida por máquinas.

A sustentabilidade não pode ser construída exclusivamente sobre aquilo que sabemos que acontecerá. Ela precisa considerar aquilo que, embora improvável, teria consequências catastróficas.

As mudanças climáticas são fenômenos relativamente lentos, observáveis e mensuráveis. Seus efeitos podem ser difíceis de prever com precisão, mas sua dinâmica pode ser estudada. Uma inteligência artificial superavançada poderia, em tese, produzir mudanças muito mais rápidas. É justamente essa combinação de autonomia tecnológica + velocidade + competição econômica + rivalidade geopolítica, que torna a questão extraordinariamente complexa.

A sustentabilidade exige cooperação internacional, enquanto a geopolítica frequentemente recompensa vantagem estratégica. Portanto, temos uma contradição estrutural: o planeta precisa que as grandes potências cooperem justamente em uma tecnologia que cada potência considera estratégica demais para compartilhar.

Quanto mais inteligência artificial utilizamos, maior tende a ser a necessidade de capacidade computacional. Quanto maior a capacidade computacional, maior a necessidade de data centers. Quanto maiores os data centers, maior a demanda por eletricidade, sistemas de refrigeração, equipamentos e materiais. E quanto maior essa infraestrutura, maior a pressão sobre recursos naturais. Quem controla a infraestrutura da inteligência artificial controla uma parcela crescente da infraestrutura econômica do futuro. Pode produzir uma concentração inédita de poder econômico e tecnológico.

Podemos chamar de sustentável uma revolução tecnológica que transfere parte crescente de seus custos ambientais para a infraestrutura física que permanece invisível ao usuário?

A sustentabilidade precisará, portanto, abandonar a ideia de que eficiência digital significa necessariamente menor consumo físico. Digitalização não elimina matéria. Ela reorganiza a matéria.

A Inteligência Artificial está entrando rapidamente no domínio militar. Sistemas autônomos, reconhecimento de alvos, guerra eletrônica, drones, inteligência, logística, simulação, planejamento operacional e ciberoperações podem ser profundamente transformados pela IA. A velocidade da decisão militar pode aproximar-se da velocidade da máquina.

O campo de batalha deixou de ser apenas territorial. Está simultaneamente no espaço, no ciberespaço, nos mercados financeiros, nas redes elétricas e nas cadeias globais de suprimentos. A Inteligência Artificial funciona como o multiplicador de poder de todos eles. A guerra moderna incorpora sistemas inteligentes, drones e plataformas autônomas. O campo de batalha automatizado continuará dependendo de enormes quantidades de energia para processar dados, alimentar sensores e sustentar sistemas autônomos.

Quando um lado utiliza IA, o adversário passa a tentar neutralizar não apenas suas armas, mas seus algoritmos. É uma guerra contra: sensores; comunicações; satélites; sinais de navegação; bases de dados; modelos de reconhecimento; sistemas de comando; infraestrutura computacional. É uma nova dimensão da guerra: a guerra cognitiva. Não basta destruir o equipamento. É preciso fazer com que o sistema deixe de compreender corretamente aquilo que está acontecendo. Um algoritmo pode ser extremamente eficiente quando recebe dados confiáveis. A batalha passa a ser também uma disputa para determinar quem consegue enganar a inteligência do outro lado: produzir dados falsos; interferir nos sensores; alterar o ambiente; criar alvos falsos; modificar assinaturas; utilizar camuflagem e engano para induzir o sistema a uma classificação errada etc. A inovação de um lado produz imediatamente uma inovação do outro.

Quanto mais tecnologia, menor o erro humano. A IA pode eliminar determinados erros humanos. Ao mesmo tempo, pode introduzir erros algorítmicos: falsos positivos; falsos negativos; classificações incorretas; excesso de confiança; dependência de dados incompletos; dificuldade de explicar decisões; automação de premissas equivocadas. Um algoritmo pode replicar o mesmo erro milhares de vezes em segundos.

Agora podemos imaginar sistemas capazes de detectar, classificar, decidir e agir em intervalos cada vez menores. Quem dominar a IA militar poderá obter uma vantagem estratégica semelhante ou maior àquela produzida anteriormente pelo domínio de determinadas tecnologias de aviação, satélites ou armas nucleares.

O conceito tradicional de desenvolvimento militar envolve grandes programas, longos ciclos de aquisição e plataformas que permanecem em serviço por décadas começa a conviver com uma lógica diferente: A arma passa a ter algo parecido com uma “versão”. A guerra transforma-se em uma espécie de desenvolvimento ágil de sistemas militares.

A superioridade militar pode deixar de significar apenas possuir armas melhores. Pode significar: ver primeiro, compreender primeiro, decidir primeiro e adaptar-se primeiro.

A guerra do futuro já começou: Drones com IA; Veículos terrestres não tripulados; Sistemas de reconhecimento automatizado; Mísseis com recursos de inteligência artificial; Comando e controle digital; Análise algorítmica de imagens; Guerra eletrônica; Sistemas capazes de operar com crescente autonomia. Tudo isso já está sendo desenvolvido ou empregado.

Quem consegue reduzir o tempo entre percepção e ação pode obter uma vantagem extraordinária. E a IA é, acima de tudo, uma tecnologia de compressão do tempo. Quanto menos tempo temos para decidir, menor é a capacidade humana de revisar a decisão. A velocidade da guerra pode tornar a supervisão humana praticamente simbólica.

A força vencedora poderá ser aquela que conseguir transformar: mais rapidamente que seu oponente e, nesse processo, a IA é o elemento decisivo. Quem dominar a inteligência que conecta sensores, dados e armas poderá dominar o campo de batalha sem necessariamente possuir a maior quantidade de armas.

A guerra do século XXI será travada simultaneamente em quatro dimensões: física, onde estão soldados, tanques, navios, aeronaves e drones; digital, onde estão dados, algoritmos e redes; cognitiva, onde se formam percepções e decisões; e industrial, onde se determina quem consegue produzir, atualizar e substituir seus sistemas mais rapidamente.

Quem perder uma dessas dimensões poderá perder a guerra mesmo vencendo batalhas. A guerra está deixando de ser uma competição exclusivamente entre plataformas. Está se tornando uma competição entre ecossistemas tecnológicos.

Se duas potências utilizarem sistemas autônomos em uma situação de crise, uma decisão algorítmica poderá desencadear uma sequência de eventos antes que os líderes políticos tenham tempo suficiente para compreender o que aconteceu.

Ninguém quer correr o risco de acelerar; mas ninguém quer ser o único a frear. Desacelerar unilateralmente pode significar simplesmente entregar vantagem aos concorrentes. Por isso, se houver desaceleração, ela precisará ser coordenada.

O governo Trump sustenta que os Estados Unidos não podem perder a liderança para a China. Na China, veículos estatais já classificam o apelo à desaceleração como potencial estratégia de contenção tecnológica.
Nesse contexto, sustentabilidade deixa de significar apenas preservar o meio ambiente. Passa a significar também preservar as condições mínimas de estabilidade que permitem a continuidade da civilização.
Não porque a extinção humana provocada pela IA seja inevitável, não é. Mas sustentabilidade é precisamente a arte de administrar riscos antes que eles se transformem em perdas irreversíveis.
Uma IA suficientemente poderosa pode: desestabilizar mercados; automatizar desinformação; concentrar riqueza; eliminar determinadas profissões; ampliar desigualdades; facilitar ataques cibernéticos; acelerar desenvolvimento de armas; produzir decisões discriminatórias; manipular comportamentos; aumentar vigilância; concentrar poder tecnológico em poucas empresas ou Estados. A sustentabilidade já está sendo testada pela IA que existe hoje.
A corrida pela IA possui uma lógica semelhante à corrida armamentista: Se uma empresa desacelerar e seus concorrentes não desacelerarem, ela poderá perder mercado. Se um país reduzir seus investimentos e outros países continuarem acelerando, poderá perder vantagem estratégica. Se todos esperarem que os outros desacelerem primeiro, ninguém desacelerará. Uma perda irreversível de controle sobre sistemas tecnológicos estratégicos poderia representar um tipo completamente diferente de risco.
Se a IA puder ajudar a resolver as grandes crises ambientais, energéticas e sociais do século XXI, ela poderá tornar-se uma das ferramentas mais poderosas da história da sustentabilidade.
Data centers precisam de eletricidade confiável. Não apenas de energia barata. Precisam de energia disponível 24 horas por dia, sete dias por semana. Precisam de estabilidade. Precisam de qualidade de energia. Precisam de capacidade firme.
A corrida da IA está acelerando investimentos em energia nuclear. A verdadeira transição energética não é simplesmente substituir combustíveis fósseis por renováveis, mas construir um sistema suficientemente robusto para sustentar simultaneamente: eletrificação + industrialização + digitalização + IA + resiliência climática. E isso exige muita potência.
Quanto mais queremos uma economia digital e descarbonizada, maior pode ser nossa dependência de uma economia mineral. Isso significa que sustentabilidade não pode continuar tratando mineração como um capítulo isolado. Mineração é infraestrutura da sustentabilidade. Sem minerais não existe transição energética. Sem energia não existe IA.
Estamos diante de um sistema circular:

A sustentabilidade não pode ignorar a guerra

A sustentabilidade é frequentemente definida por três dimensões: econômica, social e ambiental. Mas existe uma quarta dimensão que está se tornando indispensável: a sustentabilidade institucional. A tecnologia pode avançar exponencialmente enquanto as instituições avançam linearmente.
Durante décadas, aprendemos que uma sociedade sustentável deveria preservar seus recursos naturais para as futuras gerações.
Uma sociedade pode ser relativamente eficiente em carbono e, simultaneamente, extremamente vulnerável tecnologicamente. Pode possuir energia renovável, mas depender de semicondutores importados. Pode possuir enormes reservas minerais, mas não dominar as tecnologias necessárias para processá-las. Pode desenvolver Inteligência Artificial avançada, mas não possuir infraestrutura computacional suficiente para controlá-la. Pode possuir armas sofisticadas, mas não ter capacidade institucional para impedir seu uso indevido.
A sustentabilidade do século XXI será, portanto, inseparável da resiliência tecnológica.
A sustentabilidade começa a abandonar a lógica simplista de “energia limpa” e ingressa na lógica mais complexa de energia segura, abundante, confiável, acessível e ambientalmente sustentável.
Estamos discutindo a sustentabilidade como se o problema central da humanidade fosse exclusivamente reduzir emissões de carbono. Mas assistimos à expansão de investimentos militares, à reconstrução de arsenais, à corrida tecnológica entre grandes potências e à incorporação acelerada de Inteligência Artificial aos sistemas de defesa.
A guerra consome recursos naturais, energia, minerais críticos, semicondutores, água, infraestrutura e capital humano. E, sobretudo, destrói capital natural, capital físico e capital social acumulados durante décadas:
Uma ponte destruída não é apenas uma estrutura de concreto que precisa ser reconstruída. É energia, aço, cimento, transporte, trabalho, financiamento e emissões adicionais.
Uma cidade destruída representa décadas de investimento econômico transformadas em resíduos em poucas horas.
Uma floresta incendiada pela guerra representa carbono, biodiversidade e serviços ecossistêmicos perdidos.
Uma população deslocada representa ruptura econômica, social e institucional.
A guerra é, portanto, uma gigantesca operação de descapitalização da sustentabilidade.
Conflitos armados destroem infraestrutura energética, redes de transmissão, instalações industriais, sistemas de abastecimento de água, estações de tratamento de esgoto, florestas e áreas agrícolas. A destruição produz emissões diretas e indiretas.
Depois vem a reconstrução. E reconstruir significa novamente produzir aço, cimento, vidro, equipamentos elétricos, veículos, estradas e edifícios. Ou seja: a guerra pode transformar décadas de esforços de descarbonização em anos de reconstrução intensiva em carbono.
Eventos climáticos extremos podem aumentar tensões sociais, econômicas e geopolíticas; conflitos podem destruir a capacidade de adaptação; e a destruição da infraestrutura reduz a resiliência diante de novos eventos extremos. Forma-se um círculo perverso: .
A sustentabilidade precisa, portanto, incorporar a paz e a segurança como condições de resiliência.
Uma sociedade sustentável precisa preservar não apenas recursos naturais, capital financeiro e coesão social. Precisa preservar também sua capacidade de pensar, decidir e assumir responsabilidade. E uma sociedade que conserva sua riqueza, mas perde sua capacidade de decidir, pode ser tecnologicamente avançada e, simultaneamente, politicamente vulnerável.
Sustentabilidade é, em última instância, preservar as condições necessárias para que uma sociedade possa continuar existindo, prosperando e decidindo seu próprio futuro. E essas condições incluem: energia, água, alimentos, minerais, infraestrutura, tecnologia, segurança, instituições, capital humano e paz.
A sustentabilidade do futuro será necessariamente transversal: clima + energia + tecnologia + IA + defesa + economia + minerais críticos + infraestrutura + governança.
É justamente nessa interseção que surgirão alguns dos maiores desafios estratégicos do século XXI. A questão não é escolher entre tecnologia e sustentabilidade. É decidir que tipo de tecnologia será compatível com uma civilização sustentável.
E aqui emerge uma nova Lei de Ferro para uma quarta dimensão: a sustentabilidade tecnológica/cognitiva, conectando IA, guerra, energia, minerais críticos, clima, infraestrutura e governança: Quem dominar a inteligência que conecta dados, energia, infraestrutura e máquinas poderá exercer um poder desproporcional sobre quem possuir apenas armas, recursos ou território.
Recomendamos a leitura do artigo de nossa autoria: “As Leis de Ferro: tecnologia, infraestrutura e os limites da vontade política” disponível em: https://direitoambiental.com/as-leis-de-ferro-tecnologia-infraestrutura-e-os-limites-da-vontade-politica/.

Inteligência Artificial (IA) e Conflitos Sociais

A inteligência artificial e a robótica ocupam uma posição paradoxal no século XXI. Por um lado, são frequentemente associadas à aceleração produtiva, ao aumento do consumo e à intensificação tecnológica da civilização industrial. Por outro, podem se tornar instrumentos decisivos para enfrentar dois dos maiores desafios contemporâneos: o decrescimento e o despovoamento. A maneira como essas tecnologias serão utilizadas talvez determine se a humanidade caminhará para uma adaptação equilibrada aos limites do planeta ou para uma amplificação ainda maior das desigualdades e das crises ecológicas.
Uma das contribuições mais imediatas da inteligência artificial em sociedades em despovoamento será compensar a redução da mão de obra humana. Em muitos países, setores inteiros começam a enfrentar escassez de trabalhadores, especialmente em áreas como agricultura, logística, saúde e cuidado de idosos. Sistemas automatizados, robôs assistenciais e plataformas inteligentes poderão sustentar parte dessas funções sem depender de expansão contínua da população.
Na agricultura, por exemplo, robôs agrícolas e sistemas de monitoramento por inteligência artificial podem reduzir desperdícios de água, fertilizantes e energia, tornando a produção mais eficiente e menos destrutiva ambientalmente. Em vez de ampliar indefinidamente áreas cultivadas, tecnologias inteligentes permitem aumentar precisão produtiva e diminuir impacto ecológico. Isso se conecta diretamente aos princípios do decrescimento, que defendem redução da pressão material sobre os ecossistemas.
Na área da saúde e do cuidado social, a robótica poderá assumir tarefas repetitivas e fisicamente exigentes em sociedades envelhecidas. Em contextos de despovoamento, nos quais cresce o número de idosos e diminui a população jovem, sistemas automatizados poderão auxiliar no monitoramento médico, na mobilidade e no cuidado cotidiano. A tecnologia, nesse caso, funcionaria como mecanismo de sustentação social diante da transformação demográfica.
A inteligência artificial também pode contribuir para reorganizar economias em direção a modelos menos desperdiçadores. Sistemas avançados de gestão energética, logística inteligente e planejamento urbano automatizado podem reduzir consumo excessivo de recursos naturais. Redes elétricas inteligentes, por exemplo, tornam possível equilibrar demanda e oferta de energia com maior eficiência, diminuindo desperdícios estruturais.
Além disso, a automação pode permitir redução da jornada de trabalho humana. Uma das críticas centrais do decrescimento à modernidade industrial é a subordinação completa da vida à produtividade econômica. Se máquinas e algoritmos forem capazes de realizar parte significativa da produção necessária, sociedades futuras poderiam teoricamente distribuir melhor o tempo social, reduzindo jornadas excessivas e ampliando espaço para educação, convivência, cultura e cuidado.
Inteligência artificial e robótica podem produzir exatamente o oposto do que o decrescimento propõe. A automação pode concentrar riqueza, ampliar desemprego estrutural, estimular hiperconsumo digital e aumentar ainda mais a extração de minerais, energia e infraestrutura necessária para sustentar gigantescos sistemas computacionais.
Embora tecnologias inteligentes possam aumentar eficiência, elas próprias dependem de enorme infraestrutura material: centros de dados, mineração de metais raros, consumo energético e cadeias globais de produção eletrônica.
O decrescimento não propõe apenas reduzir produção material, mas transformar a relação da sociedade com tempo, consumo e sentido da vida coletiva. Nesse contexto, a inteligência artificial poderia assumir tarefas repetitivas enquanto seres humanos se dedicariam mais intensamente a atividades relacionais, criativas, científicas e comunitárias.
Sociedades menores e mais envelhecidas provavelmente precisarão de sistemas altamente eficientes para manter infraestrutura, saúde pública, transporte e produção de alimentos sem depender de crescimento demográfico permanente. A robótica pode tornar possível uma economia funcional mesmo com populações reduzidas.
A tecnologia poderá ser usada para aprofundar desigualdades e acelerar a exploração do planeta, ou para construir sociedades mais equilibradas, sustentáveis e adaptadas aos limites ecológicos do século XXI. O fator decisivo talvez não seja a capacidade técnica das máquinas, mas a capacidade política e ética da humanidade de decidir para que tipo de civilização deseja utilizá-las.

Os conflitos sociais do futuro provavelmente serão profundamente diferentes daqueles que marcaram os séculos XIX e XX. As disputas tradicionais entre classes industriais, blocos ideológicos ou projetos nacionais podem dar lugar a tensões associadas aos limites ecológicos, à automação tecnológica, ao despovoamento e à reorganização das próprias bases materiais da civilização. Os conflitos tenderão a surgir menos da expansão e mais da administração da escassez, da adaptação e da redistribuição.
Um dos principais focos de tensão será o acesso a recursos essenciais. Mudanças climáticas, degradação ambiental e crises hídricas tendem a aumentar disputas por água, energia, terras férteis e alimentos. Regiões afetadas por desertificação ou colapso agrícola poderão experimentar migrações em larga escala, pressionando fronteiras, cidades e sistemas políticos.
A natureza humana — marcada por impulsos de autopreservação, busca de status, desejo de acumulação e competição por poder — provavelmente exercerá influência decisiva sobre os conflitos do futuro.
No futuro, o medo da perda poderá se tornar uma força política central. Durante longos períodos de crescimento econômico, sociedades conseguiram amenizar tensões distribuindo expansão material: salários maiores, acesso ampliado ao consumo, crédito, urbanização e ascensão social. Porém, em cenários de crise ecológica, decrescimento econômico ou despovoamento, a percepção de escassez pode estimular comportamentos defensivos e agressivos.
O egoísmo coletivo poderá se manifestar de várias formas:
Disputas por água, energia e território;
Elites econômicas isolando-se tecnologicamente;
Nacionalismos voltados à autopreservação;
Países ricos protegendo recursos estratégicos;
Populações rejeitando “migrantes” climáticos.
Em vez de cooperação global diante da crise planetária, pode emergir uma fragmentação baseada na tentativa de proteger privilégios materiais.
A inteligência artificial e a automação podem aprofundar ainda mais essa dinâmica. Tecnologias avançadas provavelmente aumentarão a capacidade de concentração de riqueza e poder. Quem controlar infraestrutura digital, algoritmos, sistemas energéticos e robótica terá influência econômica sem precedentes. Em uma sociedade já marcada pelo individualismo competitivo, isso pode produzir novas aristocracias tecnológicas altamente protegidas, enquanto parcelas crescentes da população enfrentariam precarização econômica e perda de relevância produtiva.
O egocentrismo humano também dificulta respostas de longo prazo. A mente humana tende a reagir mais intensamente a ameaças imediatas do que a riscos graduais e abstratos.
Além disso, sociedades contemporâneas são profundamente estruturadas pela comparação social. Redes digitais, publicidade e cultura de consumo ampliam constantemente sentimentos de insuficiência, competição e necessidade de reconhecimento. Em cenários de desaceleração econômica ou decrescimento, essa cultura pode gerar frustração coletiva intensa. Limites ecológicos deixam de ser necessidade civilizatória, mas uma perda pessoal de liberdade, status e expectativa de ascensão. O ressentimento terá uma dimensão emocional explosiva: populações podem reagir com hostilidade diante de perspectivas de redução material, restrições energéticas ou reorganização econômica.
O desafio do século XXI não será apenas tecnológico ou ambiental, mas antropológico: quais dimensões da natureza humana serão incentivadas pelas futuras instituições sociais?
Se predominarem medo, competição e defesa de privilégios, os conflitos tenderão a se tornar mais violentos e fragmentados.
Ao mesmo tempo, a inteligência artificial e a automação poderão alterar profundamente a estrutura do trabalho. Se máquinas assumirem parcela crescente da produção econômica, milhões de pessoas poderão enfrentar desemprego estrutural ou perda de relevância econômica. Isso cria uma contradição inédita: sociedades capazes de produzir abundância técnica, mas incapazes de distribuir renda, propósito e estabilidade social de maneira equilibrada.
Os conflitos futuros poderão então assumir a forma de disputas entre uma elite altamente tecnificada — controladora de dados, algoritmos, infraestrutura automatizada e capital digital — e grandes populações economicamente precarizadas. A desigualdade poderá ganhar novos contornos: financeira, tecnológica e cognitiva. O acesso à inteligência artificial, à automação e à capacidade computacional poderá funcionar como novo eixo de poder global.
Sociedades envelhecidas e com baixa natalidade enfrentarão tensões intergeracionais crescentes. Populações economicamente ativas menores precisarão sustentar sistemas previdenciários, saúde pública e infraestrutura voltados para contingentes idosos cada vez maiores. Em alguns países, isso poderá gerar ressentimentos entre gerações, disputas fiscais e pressões políticas por redefinição de direitos sociais.
Regiões rurais abandonadas e cidades em retração econômica poderão experimentar sensação de declínio permanente, favorecendo radicalização política, nacionalismos defensivos e movimentos de rejeição às elites urbanas e globalizadas. O sentimento de perda civilizatória certamente se tornará um poderoso combustível político.
A inteligência artificial permitirá manipulação sofisticada de narrativas, imagens, discursos e emoções coletivas. A fronteira entre realidade e simulação poderá tornar-se progressivamente instável. Conflitos sociais não ocorrerão apenas nas ruas ou nas instituições, mas também nos sistemas digitais que organizam percepção pública, memória coletiva e comportamento político.
Os conflitos também poderão assumir dimensão ética inédita. O Antropoceno obriga a humanidade a pensar não apenas no presente, mas em gerações futuras e nos próprios limites ecológicos do planeta. Isso cria tensões entre interesses imediatos e responsabilidades de longo prazo. Governos vão enfrentar pressão simultânea para manter crescimento econômico, reduzir impactos ambientais e preservar estabilidade social — objetivos frequentemente contraditórios.
O avanço tecnológico pode tanto agravar quanto amenizar esses conflitos. Inteligência artificial e robótica podem reduzir escassez material, aumentar eficiência produtiva e aliviar trabalho humano. Mas, essas mesmas tecnologias podem ampliar concentração de riqueza e aprofundar exclusão social.
O desenvolvimento tecnológico frequentemente segue um caminho conhecido como “aplicação dual”: tecnologias criadas inicialmente para fins militares acabam sendo adaptadas para usos civis, transformando setores inteiros da economia e da vida cotidiana. Esse fenômeno ocorre porque investimentos militares costumam priorizar soluções inovadoras para comunicação, transporte, defesa, vigilância e logística, criando bases técnicas que posteriormente são aproveitadas pela sociedade civil. Em muitas revoluções tecnológicas, a inovação nasce primeiro no campo de batalha para destruir vidas, mas acaba transformada pela sociedade em ferramenta de progresso, conforto e melhoria da qualidade de vida. Alguns exemplos: internet, GPS, diversas tecnologias aeronáuticas, incluindo motores a jato, radares e sistemas avançados de navegação, satélites de telecomunicações, transmissão de TV, internet, meteorologia e monitoramento ambiental, drones, energia nuclear, forno de micro-ondas, técnicas de cirurgia de emergência, sistemas de triagem médica, próteses avançadas, telemedicina, inteligência artificial e cibersegurança.
A guerra é inevitável. “Quando a guerra simbólica, os ataques de informação e as sanções econômicas falham, o conflito desce sobre a terra. Não porque alguém queira a guerra, mas porque não há mais uma linguagem comum para a paz. Os tratados tornam-se obras de ficção, a diplomacia transforma-se num teatro do absurdo. Quando as palavras perderam completamente o seu significado, resta apenas uma maneira de determinar qual visão de mundo é verdadeira: o confronto físico direto.” ()
Nos últimos 3.400 anos, os humanos estiveram em paz em apenas 268 deles, o que configura apenas 8% do tempo. O século XX foi o período mais bélico e mortal da humanidade até então, com mais de 100 guerras e conflitos registrados, sendo que estimativas para o número total de mortos ao longo de toda História pode alcançar 1 bilhão. ()
Atualmente, a estimativa global é de que existam cerca de 130 conflitos armados ativos em todo o mundo, de acordo com dados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e de monitoramentos humanitários. O cenário geopolítico atual reflete o maior volume de hostilidades militares simultâneas desde o fim da Segunda Guerra Mundial. ()
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 (), houveram no Brasil 40.775 mortes violentas intencionais e 84.2693 desaparecimentos em 2025. É um nível de letalidade muito alto para um país formalmente em paz. O Brasil continua sendo um Estado funcional, sem guerra declarada, sem colapso institucional nacional e sem conflito militar convencional entre forças organizadas disputando o poder do Estado. Embora haja diferenças fundamentais entre violência criminal e guerra, “violência armada crônica”, “conflito armado não internacional”, “guerra criminal” ou “violência de alta intensidade” apresentam dinâmicas semelhantes às de zonas de conflito armado. Aa semelhança com uma guerra está principalmente na escala da violência, no impacto social, na presença de grupos armados e na sensação de insegurança persistente.

Conclusões

“Viver é muito perigoso.” A advertência de Guimarães Rosa talvez nunca tenha sido tão atual. Não porque a humanidade esteja necessariamente diante de sua extinção, mas porque nunca antes tivemos simultaneamente tamanha capacidade de transformar o mundo e tamanha capacidade de produzir consequências que podem escapar à nossa própria capacidade de compreendê-las, controlá-las e corrigi-las.
Passamos décadas tentando construir máquinas mais inteligentes do que nós. O desafio é não sermos dominados pelas consequências daquilo que construímos. É possível que as previsões de extinção estejam completamente erradas. É possível que a superinteligência jamais apareça. É possível que os riscos sejam muito menores do que os mais pessimistas imaginam.
O maior perigo é a combinação de: inteligência artificial + competição econômica + corrida geopolítica + autonomia crescente + falta de transparência + governança atrasada.
E erros humanos, quando multiplicados por máquinas capazes de operar em escala planetária, deixam de ser simplesmente erros. Podem transformar-se em eventos civilizacionais.
Enquanto os líderes da IA discutem desaceleração, a geopolítica trata a velocidade da IA como questão de segurança nacional; simultaneamente, a própria guerra passa a demandar computação e energia em escala crescente: a IA está deixando de ser apenas ferramenta de análise e passando a integrar a cadeia que vai do sensor à decisão, da decisão ao alvo e do alvo ao efeito no campo de batalha. A Ucrânia é hoje o laboratório mais visível dessa transformação. Ao mesmo tempo, os EUA já empregam sistemas de IA em operações de grande escala, enquanto Israel utiliza ferramentas algorítmicas em operações em Gaza. Reino Unido, OTAN e outros países estão incorporando rapidamente as lições desses conflitos.
Quem controla a infraestrutura da inteligência artificial controla uma parcela crescente da infraestrutura econômica do futuro. Pode produzir uma concentração inédita de poder econômico e tecnológico.
Sustentabilidade é, em última instância, preservar as condições necessárias para que uma sociedade possa continuar existindo, prosperando e decidindo seu próprio futuro. E essas condições incluem: energia, água, alimentos, minerais, infraestrutura, tecnologia, segurança, instituições, capital humano e paz.

A sustentabilidade, em sua essência mais profunda, não significa apenas conservar recursos para as próximas gerações. Significa conservar as condições que tornam possível a existência, a prosperidade, a liberdade e a capacidade de escolha dessas gerações.

Não haverá transição energética sem minerais. Não haverá IA sem energia. Não haverá energia confiável sem infraestrutura. Não haverá infraestrutura resiliente sem indústria. Não haverá segurança sem tecnologia. E não haverá sustentabilidade duradoura sem instituições capazes de administrar essa interdependência.

Estamos, portanto, diante de um sistema circular: Romper qualquer elo dessa cadeia pode produzir vulnerabilidade sistêmica. A nova fronteira da sobrevivência não será, portanto, exclusivamente ambiental. Será civilizacional.

A sustentabilidade da era da IA além de ser verde terá de ser: energética, econômica, ambiental, social, tecnológica, geopolítica e existencial. O Evangelho Segundo o Apóstolo São João, filho de Zebedeu e um dos doze apóstolos de Jesus, declara: “O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.” (João 10:10 | ACF). Assim seja!

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Enio Fonseca – Engenheiro Florestal, Senior Advisor em questões socioambientais, Especialização em Proteção Florestal pelo NARTC e CONAF-Chile, em Engenharia Ambiental pelo IETEC-MG, em Liderança em Gestão pela FDC, em Educação Ambiental pela UNB, MBA em Gestão de Florestas pelo IBAPE, em Gestão Empresarial pela FGV. Atual CEO da Pack of Wolves Assessoria Socioambiental, Conselheiro do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico-FMASE, Diretor de Sustentabilidade Agroambiental e de Infraestrutura da ALAGRO e Conselheiro INTR Ocupou as seguintes posições: Superintendente do IBAMA em MG; Superintendente de Gestão Ambiental do Grupo Cemig; Chefe do Departamento de Fiscalização e Controle Florestal do IEF; Conselheiro no Conselho de Política Ambiental do Estado de MG; Presidente FMASE; Gestor de Sustentabilidade Associação Mineradores de Ferro do Brasil; Diretor Meio Ambiente e Relações Institucionais da SAM Metais;; Conselheiro do Instituto AME. É membro do IBRADES, ABDEM, ADIMIN. Articulista do Canal direitoambiental.com.

Linkedin Enio Fonseca

Decio Michellis Jr. – Licenciado em Eletrotécnica, com MBA em Gestão Estratégica Socioambiental em Infraestrutura, extensão em Gestão de Recursos de Defesa e extensão em Direito da Energia Elétrica, é assessor técnico do Fórum do Meio Ambiente do Setor Elétrico – FMASE e especialista na gestão de riscos em projetos de financiamento na modalidade Project Finance. Autor de 27 e-books e coautor de 29 e-books. Articulista do Canal direitoambiental.com.

Linkedin Décio Michellis Jr

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