segunda-feira , 27 julho 2026
Home / Artigos jurídicos / Tragédias Climáticas: memória, vulnerabilidade e resiliência

Tragédias Climáticas: memória, vulnerabilidade e resiliência

Por Enio Fonseca e Decio Michellis Jr.

“Me desesperando calmamente!”
(Sergio Cintra)
“Vamos concordar que há muita coisa que realmente não sabemos sobre como o clima vai mudar no século XXI e nos anos seguintes. Não acredito que ninguém deva ter a autoridade moral para negar às pessoas a oportunidade de melhorar de vida, privando-as arbitrariamente dos meios necessários…” (Lee R. Raymond)

Furacões? Mudanças climáticas. Sem furacões? Mudanças climáticas. Sem ursos polares? Mudanças climáticas. Muitos ursos polares? Mudanças climáticas. Cães deprimidos? Mudanças climáticas. Seca? Mudanças climáticas. Chuvas de monção? Mudanças climáticas. Redução das calotas polares? Mudanças climáticas. Expansão das calotas polares? Mudanças climáticas. Terça-feira? Mudanças climáticas. Noite? Mudanças climáticas. Dia? Mudanças climáticas. Aumento dos casamentos infantis? Mudanças climáticas. Calvície masculina? Mudanças climáticas. Infidelidade entre pássaros? Mudanças climáticas. Racismo? Mudanças climáticas. Dia de cabelo ruim? Mudanças climáticas. Não há nada que não possa fazer ou que não possa ser atribuído a ela.
A cada novo evento ou tragédia ambiental uma “enxurrada” de justificativas, explicações e propostas (raramente técnica e economicamente viáveis) são apresentadas. Mesmo que estas ocorrências estejam devidamente registradas nos últimos 526 anos. A última moda é culpar as mudanças climáticas antropogênicas (fenômeno amplo, complexo e impessoal) por absolutamente tudo que acontece nos desastres naturais e justificativa para inação pontual/local.
Não se trata de negar as mudanças climáticas (negacionismo), mas de mensurar a sua dimensão, a velocidade das suas mudanças e o que funciona melhor quando nos preocupamos com o bem-estar humano.
O clima está mudando, como tem acontecido ao longo da história da Terra que pudemos estudar, e que continuará a mudar no futuro. Os realistas reconhecem que as emissões antropogênicas (produzidas pela atividade humana) provavelmente contribuíram para as mudanças climáticas desde a Revolução Industrial (aquecimento global antropogênico), mas que os mecanismos naturais que causaram as mudanças climáticas no passado continuam a contribuir para as mudanças climáticas atuais.
As emissões de dióxido de carbono retendo calor na atmosfera são reais, como relatado em 1987, mas o alarme pode ter sido exagerado, os efeitos de retroalimentação superestimados nos modelos climáticos. O efeito estufa provavelmente seria um incômodo moderado, e não uma ameaça existencial. Os ativistas na liderança do debate climático, muitas vezes com um conhecimento mínimo da ciência climática, pintam cenários cada vez mais catastróficos do futuro aquecimento global.
O pragmatismo climático é uma abordagem para as políticas e ações de enfrentamento das mudanças climáticas que foca na eficácia prática e nos resultados reais, priorizando soluções que funcionam em vez de planos puramente teóricos ou ideológicos. Busca a adaptação e mitigação através de medidas concretas.
Adaptar-se até mesmo aos maiores impactos das mudanças climáticas previstas é muito mais barato do que tentar mudar o clima em 2050. Estima-se a demanda por recursos financeiros na adaptação climática seja menor que 10 % da necessidade de investimento em mitigação.
O medo das mudanças climáticas tem a valiosa característica de sempre poder ser apresentado no futuro. Não importa quão branda seja a mudança climática hoje, sempre se pode prometer o apocalipse amanhã.
Estamos na época da pós-verdade. As pessoas são mais propensas a aceitar um argumento baseado em suas emoções e crenças, em vez de um baseado em fatos. A ideia de verdade caiu em desuso nos últimos anos. C’est la vie…

33% de possibilidades de chover muito, 33% de chover dentro da média e 33% de chover abaixo da média

“A Folha apurou que o informe do Inpe para os meses de verão indicava, na verdade, três situações na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, onde ficam os reservatórios do Cantareira.
Segundo o boletim, havia 33% de possibilidade de chover muito, 33% de chover dentro da média e 33% de chover abaixo da média. Ou seja, chances iguais para os três cenários.” ()
Publicada em 23 de março de 2014, afirmou ter obtido e analisado o boletim sazonal do INPE/CPTEC. Na mesma matéria, a Folha contrapôs essa previsão às informações de empresas privadas de meteorologia:
A Sabesp sustentava que o boletim do INPE indicava chuva sobre o sistema Cantareira.
A empresa Somar Meteorologia afirmou que, desde meados de 2013, seus boletins já apontavam tendência de seca para o Sudeste.
O que significa o “33% / 33% / 33%”?
Nas previsões sazonais probabilísticas do CPTEC/INPE, utiliza-se normalmente uma divisão em três categorias climatológicas (tercis):
Abaixo da média;
Dentro da média;
Acima da média.
Quando o modelo não apresenta habilidade preditiva para favorecer qualquer categoria, a previsão é emitida como:
33% abaixo;
33% normal;
33% acima.
Em termos estatísticos, isso significa que não existe sinal climático suficientemente forte para favorecer qualquer um dos três cenários. Portanto, não é uma previsão de que choverá “normalmente”, mas sim uma indicação de ausência de previsibilidade sazonal útil.
Posteriormente, o próprio INPE publicou estudos mostrando que:
O verão 2013/2014 apresentou um déficit de precipitação excepcional;
Esse evento foi um dos mais severos da série histórica desde 1961/62;
A seca esteve associada principalmente a um persistente bloqueio atmosférico sobre o Sudeste, fenômeno que dificultou sua previsão sazonal.
Nem El Niño nem La Niña. Predominaram condições de ENSO neutro. Durante todo esse período, o Oceano Pacífico tropical apresentou temperaturas próximas da média, insuficientes para caracterizar oficialmente qualquer uma das duas fases do ENSO (El Niño–Oscilação Sul). O Centro de Previsão Climática (CPC/NOAA) classificava continuamente a situação como ENSO-neutral.
Apesar da ausência de El Niño ou La Niña, o verão de 2013/14 ficou marcado por:
Intensa seca no Sudeste brasileiro (especialmente São Paulo);
Temperaturas excepcionalmente elevadas;
Baixos volumes de chuva.
A Agência Nacional de Águas (ANA) também registrou que a redução extraordinária das chuvas não foi prevista pelos institutos meteorológicos e relaciona o evento ao bloqueio atmosférico que impediu a passagem de frentes frias sobre a região.
Estudos posteriores indicam que esses eventos estiveram associados principalmente a:
Um persistente bloqueio atmosférico sobre o Sudeste;
Anomalias de temperatura no Atlântico Tropical e no Atlântico Sul;
Variabilidade atmosférica intrassazonal.
Ou seja, a seca histórica de 2013/14 não foi causada por um evento de El Niño ou La Niña, mas ocorreu sob condições neutras do ENSO, reforçando que eventos extremos no Brasil podem ocorrer mesmo na ausência desses fenômenos.
Preci(vi)são científica é outro nível…

A Grande Seca de 1877–1879: quando o clima mudou o destino de milhões

As Megassecas são eventos de seca persistentes e plurianuais que se destacam como especialmente extremos em termos de severidade, duração ou extensão espacial quando comparados com outras secas dos últimos dois mil anos.
As Megassecas ocorreram em todos os continentes fora da Antártida, causando muitas vezes grandes perturbações nos ecossistemas (por exemplo, florestas no sudoeste dos EUA) e nas sociedades (por exemplo, os maias na América Central, a dinastia Ming no norte da China). As Megassecas passadas teriam sido causadas por mudanças persistentes nas temperaturas dos oceanos tropicais.
As Megassecas dos últimos 2000 anos foram piores e mais longas do que as secas atuais. Um novo atlas mostra que as secas do passado foram piores do que as atuais — e não podem ter sido causadas pelo CO2 produzido pelo homem. () A pior megasseca nas regiões da Califórnia e Nevada ocorreu entre 832 e 1074 d.C. (242 anos!). A pior seca no centro-norte da Europa ocorreu entre 1437 e 1473 d.C., durando 37 anos.
Existem pedras em rios europeus chamadas Pedras da Fome, onde as pessoas esculpiram mensagens para marcar a intensidade da dor causada pelas secas. Há registros históricos de trechos do Reno tão secos que era possível atravessá-lo a pé com os pés secos. Em 1540, poços que nunca haviam secado secaram. Onze meses sem chuva, um milhão de mortos. 1540 Toda a década foi terrível e, em 1835, na Transilvânia, as pessoas estavam tão famintas que chegaram a comer gatos e cachorros mortos. ()
Entre 1877 e 1879, o Nordeste brasileiro foi atingido pela mais severa seca já registrada desde o início da colonização portuguesa. Conhecida como Grande Seca ou Seca dos Três Setes, ela permanece como o maior desastre natural da história do Brasil em número de vítimas.
Na época, o Brasil possuía aproximadamente 10 milhões de habitantes, enquanto a população mundial era estimada em 1,4 a 1,5 bilhão de pessoas. Ou seja, o desastre ocorreu em um país ainda predominantemente rural, com baixa capacidade logística, escassa infraestrutura hídrica e praticamente inexistentes sistemas de proteção social.
O Ceará, cuja população era estimada em cerca de 800 mil habitantes, foi particularmente devastado. Calcula-se que:
Aproximadamente 120 mil pessoas (15% da população) migraram para a Amazônia, atraídas principalmente pelo ciclo da borracha;
Cerca de 68 mil pessoas deslocaram-se para outras províncias brasileiras;
Centenas de milhares permaneceram enfrentando fome, epidemias e extrema pobreza.
A capital, Fortaleza, viveu um colapso humanitário. A cidade recebeu dezenas de milhares de retirantes vindos do interior, superando completamente sua capacidade de acolhimento. Acampamentos improvisados transformaram-se em focos de varíola, cólera, disenteria e outras doenças infecciosas. Diversos relatos históricos estimam que cerca de metade da população da cidade pereceu, não apenas pela falta de alimentos, mas principalmente pelas epidemias associadas ao colapso sanitário.
No conjunto do Nordeste, estima-se que a Grande Seca tenha provocado aproximadamente 500 mil mortes, o equivalente a cerca de 5% da população brasileira da época — uma proporção que, em termos relativos, seria comparável a milhões de mortes no Brasil atual: com 213.421.037 habitantes, equivaleria a morte de 10.671.052 habitantes (5%). Para efeitos de comparação a população da cidade de São Paulo é de 11,5 milhões de habitantes. De acordo com os dados mais recentes disponíveis, o Brasil registrou aproximadamente 1.507.424 óbitos em 2025, considerando todas as causas de morte (causas naturais e externas). Trata-se de um dado preliminar baseado nos sistemas nacionais de estatísticas vitais e sujeito a pequenas revisões posteriores.
Além da tragédia humana, a economia regional praticamente entrou em colapso. A agricultura desapareceu durante vários anos, rios secaram, açudes esvaziaram-se e enormes rebanhos morreram por falta de água e pastagem. A seca transformou profundamente a estrutura econômica e social do Nordeste, intensificando fluxos migratórios que marcariam a história brasileira nas décadas seguintes.
A Grande Seca de 1877–1879 é reconhecida como o maior desastre climático e humanitário da história do Brasil. Muito antes de as mudanças climáticas antropogênicas integrarem o debate científico e político, uma combinação de variabilidade natural do sistema climático e elevada vulnerabilidade social produziu uma tragédia de proporções continentais, cujos efeitos se estenderam muito além do Nordeste brasileiro.
A Grande Seca brasileira não foi um fenômeno isolado.
O mesmo período coincidiu com uma das maiores anomalias climáticas globais do século XIX, associada a um fortíssimo episódio de El Niño (1877–1878), considerado por muitos climatologistas um dos mais intensos dos últimos 500 anos.
Enquanto o Nordeste enfrentava sua pior seca histórica:
Na Índia, a Grande Fome de 1876–1878 provocou cerca de 5,25 milhões de mortes, embora algumas estimativas ultrapassem 8 milhões;
Na China, secas prolongadas e sucessivas quebras de safra contribuíram para uma fome que matou aproximadamente 13 milhões de pessoas;
Secas severas também atingiram partes da África, do Sudeste Asiático, do Egito, do norte da China, da Austrália e da América Latina.
No total, diversos historiadores estimam que as anomalias climáticas associadas ao evento de 1877–1878 tenham contribuído para 20 a 50 milhões de mortes em todo o mundo, tornando esse episódio um dos maiores desastres climáticos globais já registrados.
Hoje existe razoável consenso científico de que a Grande Seca brasileira esteve relacionada principalmente à combinação de fatores naturais do sistema climático. Entre eles destacam-se:
Um El Niño excepcionalmente intenso em 1877–1878, que reduziu drasticamente as chuvas sobre o Nordeste brasileiro;
Alterações na circulação atmosférica tropical;
Deslocamentos da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) para latitudes mais ao norte, impedindo a formação das chuvas sazonais;
Anomalias nas temperaturas da superfície do Atlântico Tropical, que reforçaram a persistência da seca.
Naquela época, as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono (CO2) eram da ordem de 290 ppm (partes por milhão de dióxido de carbono), aproximadamente 40% inferiores aos níveis atuais, evidenciando que megassecas capazes de produzir enormes impactos sociais ocorreram muito antes da industrialização em larga escala.
A Grande Seca de 1877–1879 evidencia uma distinção fundamental que permanece atual: o fenômeno climático e o desastre humano não são sinônimos.
A seca foi um evento natural de grande magnitude. A catástrofe humanitária decorreu da combinação entre o evento climático extremo e a elevada vulnerabilidade da sociedade da época: ausência de infraestrutura hídrica, inexistência de sistemas de previsão meteorológica, precariedade dos transportes, baixa produtividade agrícola, falta de políticas públicas de assistência e limitada capacidade institucional para responder à crise.
A Grande Seca permanece, portanto, como um poderoso lembrete de que a intensidade de um desastre depende tanto da força da natureza quanto da capacidade de adaptação e resiliência da sociedade. A história mostra que fenômenos climáticos extremos sempre fizeram parte da dinâmica do planeta; o desafio permanente das civilizações é impedir que esses eventos se convertam novamente em crises humanitárias da magnitude observada entre 1877 e 1879.

El Niño 2026: o Brasil entra em modo de alerta — estamos preparados ou repetiremos os erros do passado?

O documento “Painel El Niño 2026–2027 – Boletim Mensal nº 1 (Junho de 2026)”, elaborado conjuntamente pelo INMET, INPE, ANA, CEMADEN, SGB e SEDEC, constitui a primeira avaliação oficial integrada do Governo Federal sobre a evolução do fenômeno El Niño e seus potenciais impactos para o Brasil entre 2026 e 2027. ()
O principal marco do documento é a confirmação do estabelecimento do El Niño em junho de 2026. Os modelos climáticos internacionais indicam:
Probabilidade superior a 90% de permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027;
Elevada probabilidade de evolução para um El Niño muito forte, com anomalias da temperatura da superfície do Pacífico Equatorial superiores a 2,0°C entre a primavera e o verão de 2026.
A previsão climática para o trimestre julho–agosto–setembro de 2026 indica:
Chuvas acima da média
Região Sul (especialmente áreas do sul da Região Sul).
Chuvas abaixo da média
Grande parte do Centro-Oeste;
Norte;
Nordeste;
Áreas do Sudeste.
Ou seja, o padrão clássico do El Niño deverá voltar a se manifestar no território brasileiro, aumentando o contraste entre o Sul e o centro-norte do País.
O boletim destaca que o segundo semestre de 2026 deverá apresentar:
Temperaturas persistentemente acima da média;
Maior frequência de ondas de calor;
Aumento significativo do risco de incêndios florestais.
O documento mostra que o fenômeno não produz apenas efeitos negativos.
Entre os possíveis benefícios estão:
Melhores condições para a colheita do milho de segunda safra;
Favorecimento da colheita do algodão;
Condições positivas para a cana-de-açúcar;
Boas perspectivas para culturas de inverno no Sul.
Entretanto, também identifica riscos importantes:
Degradação das pastagens;
Dificuldades para preparação da próxima safra no Centro-Oeste;
Maior estresse térmico para plantas e animais.
O documento conclui que existe elevada confiança científica de que o El Niño permanecerá ativo durante vários meses, tornando provável a ocorrência de eventos climáticos extremos em diferentes regiões brasileiras.
Embora o El Niño seja tradicionalmente associado às alterações no regime de chuvas, o boletim destaca que o aumento das temperaturas poderá representar o efeito mais abrangente do episódio atual, elevando:
A frequência das ondas de calor;
O risco de incêndios;
Os impactos sobre agricultura, recursos hídricos e saúde pública.
O documento reforça que não existe um único efeito do El Niño para todo o Brasil. Enquanto algumas regiões poderão experimentar excesso de chuvas, outras enfrentarão déficit hídrico e temperaturas mais elevadas, exigindo estratégias distintas de adaptação e resposta.
Em termos estratégicos, o boletim transmite quatro mensagens centrais:
O El Niño 2026–2027 já está instalado e deverá persistir até pelo menos o início de 2027.
Há possibilidade elevada de um episódio muito forte, aumentando a probabilidade de extremos climáticos.
O principal risco nacional combina calor intenso e alterações expressivas no regime de chuvas, com efeitos distintos entre as regiões brasileiras.

Super Mega Supremo Hiper Giga Godzilla El Niño

O artigo “Here Comes the Super Mega Ultimate Hyper Giga Godzilla El Niño” (Eis que surge o Super Mega Supremo Hiper Giga Godzilla El Niño), publicado no portal Climate Realism e assinado por Charles Rotter (), não nega a possibilidade de um El Niño muito intenso em 2026–2027. Sua principal crítica dirige-se à forma como parte da imprensa e alguns divulgadores científicos transformam uma previsão meteorológica em uma narrativa de excepcionalismo permanente, utilizando sucessivos superlativos (“Super”, “Mega”, “Godzilla”, etc.) para maximizar o impacto midiático.
O autor inicia reunindo manchetes publicadas por diferentes veículos internacionais que anunciam a chegada de um “Super El Niño” ou mesmo de um “Godzilla El Niño”, sugerindo que o planeta estaria diante de um evento sem precedentes. Segundo sua avaliação, essa sucessão de adjetivos ilustra um fenômeno recorrente na cobertura climática: antes mesmo de o evento atingir sua intensidade máxima, já se constrói uma narrativa de catástrofe inevitável.
A condição oficialmente reconhecida pela National Oceanic and Atmospheric Administration ainda era de ENSO-neutro, embora houvesse um “El Niño Watch”, isto é, monitoramento indicando elevada probabilidade de desenvolvimento do fenômeno. O argumento central é que existiria uma distância entre o estado observado do sistema oceano-atmosfera e a intensidade das manchetes divulgadas ao público.
O episódio do El Niño de 2015–2016, amplamente apelidado de “Godzilla El Niño” foi apresentado como capaz de provocar consequências extraordinárias, especialmente na Califórnia, onde se esperava que encerrasse uma longa seca por meio de chuvas excepcionais. Na visão apresentada, os impactos observados foram mais moderados do que muitos prognósticos divulgados pela mídia sugeriam, reforçando sua crítica ao uso recorrente de previsões extremadas.
“Inflação semântica”: da mesma forma que eventos meteorológicos recebem nomes cada vez mais dramáticos, haveria uma tendência de amplificar continuamente o discurso sobre riscos climáticos, criando uma escalada de terminologias (“forte”, “muito forte”, “super”, “Godzilla”) que perde capacidade de distinguir cientificamente diferentes níveis de intensidade.
Paralelamente às críticas dirigidas ao sensacionalismo da cobertura jornalística, diversos centros meteorológicos oficiais passaram a indicar, durante junho de 2026, elevada probabilidade de desenvolvimento de um El Niño forte, com alguns modelos projetando intensidade comparável aos maiores eventos já registrados. A Organização Meteorológica Mundial estimou aproximadamente 80% de probabilidade de formação do fenômeno entre junho e agosto de 2026 e probabilidade próxima de 90% de sua persistência até o final do ano, destacando a importância da preparação preventiva.
O documento do Climate Prediction Center (CPC) da NOAA confirma que o Oceano Pacífico entrou oficialmente em condições de El Niño, encerrando a fase neutra observada nos meses anteriores. A análise mostra um rápido aquecimento das águas superficiais do Pacífico equatorial central e oriental, acompanhado por sinais atmosféricos consistentes com o desenvolvimento do fenômeno, caracterizando a instalação de um episódio clássico de El Niño. ()
O primeiro destaque do relatório é que a NOAA elevou o status para El Niño Advisory, indicando que o fenômeno não é mais apenas uma possibilidade futura, mas uma condição climática efetivamente presente.
Segundo as probabilidades oficiais apresentadas:
Existe aproximadamente 63% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte durante o pico do evento;
A chance de permanência do El Niño ao longo do inverno 2026–2027 é considerada elevada.
A NOAA enfatiza, entretanto, que intensidade oceânica não significa automaticamente intensidade proporcional dos impactos regionais, pois diversos fatores atmosféricos modulam os efeitos em cada continente.
A NOAA reforça um ponto frequentemente negligenciado pelo público: El Niño não produz os mesmos efeitos em todos os países.
Seus impactos dependem:
Da posição dos jatos atmosféricos;
Da circulação regional;
Das condições locais;
Da interação com outros modos de variabilidade climática.
Assim, enquanto algumas regiões experimentam secas severas, outras registram chuvas excessivas ou temperaturas acima da média.
Ainda existe incerteza sobre a intensidade final. Apesar do elevado consenso entre os modelos, a NOAA enfatiza que previsões climáticas permanecem probabilísticas. O relatório evita afirmar categoricamente que o evento estabelecerá novos recordes históricos.
Sua mensagem é mais cautelosa: o desenvolvimento de um El Niño forte é altamente provável, mas sua intensidade máxima somente poderá ser confirmada após a evolução observada durante os próximos meses.
Em síntese, o relatório da NOAA apresenta uma mensagem simultaneamente robusta e cautelosa: os sinais oceânicos e atmosféricos sustentam elevada confiança na evolução de um El Niño de grande intensidade, mas a instituição evita extrapolar esses resultados para previsões determinísticas de impactos regionais, reforçando que a preparação para eventos extremos deve basear-se em monitoramento contínuo e atualização permanente dos cenários climáticos.
A previsão científica deve ser distinguida da narrativa midiática. Modelos climáticos trabalham com probabilidades, intervalos de confiança e cenários, enquanto manchetes frequentemente privilegiam expressões capazes de atrair atenção, ainda que transmitam ao público uma impressão de certeza ou excepcionalidade superior àquela efetivamente sustentada pelas evidências disponíveis.
Essa discussão possui relevância mais ampla para a governança climática. Independentemente de o evento de 2026–2027 confirmar-se como um dos mais intensos da série histórica, a experiência demonstra que previsões antecipadas somente produzem benefícios quando são convertidas em planejamento, adaptação e gestão de riscos. Em outras palavras, o desafio não consiste apenas em prever um “Godzilla El Niño”, mas em utilizar o tempo proporcionado pelos sistemas de monitoramento para reduzir vulnerabilidades, proteger populações e preparar infraestrutura crítica antes que os impactos se materializem.

Quando o clima explica tudo, talvez já não explique mais nada

Durante décadas ouvimos que as mudanças climáticas provocariam secas, enchentes, furacões, incêndios, ondas de calor, perda de biodiversidade e insegurança alimentar. Agora, ao que parece, a lista ganhou um novo integrante: o casamento infantil.
Uma reportagem recente da ABC australiana afirma que eventos climáticos extremos estariam contribuindo para o aumento dos casamentos precoces em regiões vulneráveis da Ásia e do Pacífico. A lógica é simples: desastres naturais destroem meios de subsistência, aprofundam a pobreza e levam algumas famílias a recorrer ao casamento das filhas como estratégia de sobrevivência econômica. Trata-se de uma hipótese séria, respaldada por organizações humanitárias e por estudos que investigam a interação entre vulnerabilidade climática, pobreza e desigualdade de gênero. ()
Mas é justamente aí que surge uma pergunta incômoda.
Estamos realmente diante de uma nova causa do casamento infantil ou apenas atribuindo ao clima problemas sociais, econômicos e institucionais que existem há séculos?
Casamentos infantis não nasceram com o aquecimento global. Eles antecedem a Revolução Industrial, os combustíveis fósseis e até mesmo a própria ciência climática. Persistem onde predominam pobreza extrema, baixa escolaridade, ausência do Estado, discriminação contra mulheres, insegurança jurídica e normas culturais profundamente enraizadas.
Quando uma enchente destrói uma colheita e uma família decide casar uma filha adolescente, o fator determinante é a temperatura média global ou a absoluta falta de renda, crédito, seguro agrícola, proteção social e oportunidades econômicas?
Essa distinção não é meramente acadêmica. Ela define onde serão investidos bilhões de dólares e quais políticas públicas receberão prioridade.
O debate torna-se ainda mais controverso quando toda tragédia humana passa a ser enquadrada, quase automaticamente, sob a rubrica das mudanças climáticas. Se tudo é consequência do clima, corre-se o risco de transformar um fenômeno complexo em uma explicação universal — e, paradoxalmente, deixar de enfrentar suas verdadeiras causas imediatas.
Críticos dessa narrativa argumentam exatamente isso: ao colocar as mudanças climáticas como protagonista, desloca-se o foco de problemas históricos de desenvolvimento, governança e pobreza, criando uma narrativa excessivamente simplificada para questões profundamente multifatoriais. Para esses autores, reduzir o casamento infantil ao clima pode ser politicamente conveniente, mas intelectualmente insuficiente.
Isso não significa negar que eventos climáticos possam agravar vulnerabilidades. Evidentemente podem. Secas, enchentes e ciclones ampliam a pobreza, provocam deslocamentos populacionais e aumentam riscos sociais. O próprio corpo de pesquisas disponível descreve essa relação como indireta e altamente dependente do contexto local, não como um mecanismo causal único.
Talvez, então, a pergunta correta não seja se o clima provoca casamentos infantis. A pergunta realmente importante é outra.
Se uma comunidade dispõe de renda, infraestrutura resiliente, educação, proteção social, direitos das mulheres e instituições eficazes, um desastre climático continua levando meninas ao casamento precoce?
Se a resposta for “não”, então talvez o maior problema nunca tenha sido apenas o clima.
Porque, no fim das contas, sociedades resilientes não são construídas apenas reduzindo emissões de carbono. São construídas reduzindo pobreza, fortalecendo instituições, ampliando oportunidades e protegendo pessoas.
Caso contrário, corremos o risco de transformar cada tragédia humana em mais um capítulo da mesma narrativa climática — quando, muitas vezes, ela é sobretudo uma história de subdesenvolvimento, fragilidade institucional e abandono social.
Para ampliar a compreensão sobre o tema, convidamos o leitor a fazer o download gratuito de nosso e-book “Já atingimos 1,5 ºC de aquecimento global! E agora?”

Aborda as questões das mudanças climáticas, adaptação, apocalipse climático, greening, transição energética, serviços públicos regulados e infraestrutura. São apresentadas as oportunidades, as ameaças e macrotendências sob a ótica da defesa do interesse do consumidor brasileiro.

Manifesto Tecno-Otimista

O “Manifesto Tecno-Otimista” é um ensaio auto publicado em 2023 por Marc Andreessen. O ensaio argumenta que muitos problemas significativos da humanidade foram resolvidos com o desenvolvimento da tecnologia, particularmente a tecnologia sem quaisquer restrições, e que devemos fazer tudo o que for possível para acelerar o avanço tecnológico. A tecnologia é o que impulsiona a riqueza e a felicidade. O ensaio é considerado um manifesto para o aceleracionismo eficaz. Está disponível na íntegra em: https://a16z.com/the-techno-optimist-manifesto/.

Dele destacamos alguns trechos:

“Temos inimigos.

Nossos inimigos não são pessoas más, mas sim ideias más.

Nossa sociedade atual tem sido submetida a uma campanha de desmoralização em massa há seis décadas – contra a tecnologia e contra a vida – sob diversos nomes como “risco existencial”, “sustentabilidade”, “ESG”, “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, “responsabilidade social”, “capitalismo de stakeholders”, “Princípio da Precaução”, “confiança e segurança”, “ética tecnológica”, “gestão de riscos”, “decrescimento” e “os limites do crescimento”.

Nosso inimigo é a estagnação.

Nosso inimigo é antimérito, antiambição, antiesforço, anticonquista, antigrandeza.

Nosso inimigo é o estatismo, o autoritarismo, o coletivismo, o planejamento centralizado e o socialismo.

Nosso inimigo é a burocracia, a vetocracia, a gerontocracia, a deferência cega à tradição.

Nosso inimigo é a corrupção, a captura regulatória, os monopólios e os cartéis.

Nosso inimigo são as instituições que, em sua juventude, eram vitais, enérgicas e buscavam a verdade, mas que agora estão comprometidas, corroídas e em colapso – bloqueando o progresso em tentativas cada vez mais desesperadas de manter sua relevância, tentando freneticamente justificar seu financiamento contínuo, apesar da disfunção crescente e da incompetência cada vez maior.

Nosso inimigo é a torre de marfim, a visão de mundo dos especialistas com credenciais que se acham donos da verdade, que se entregam a teorias abstratas, crenças de luxo, engenharia social, desconectados do mundo real, iludidos, não eleitos e irresponsáveis ​​– brincando de Deus com a vida de todos os outros, com total imunidade às consequências.

Nosso inimigo é o Princípio da Precaução, que teria impedido praticamente todo o progresso desde que o homem dominou o fogo. O Princípio da Precaução foi inventado para impedir a implantação em larga escala da energia nuclear civil, talvez o erro mais catastrófico da sociedade ocidental em minha vida. O Princípio da Precaução continua a infligir enorme sofrimento desnecessário ao nosso mundo hoje. É profundamente imoral e devemos descartá-lo com extrema veemência.

Nosso inimigo é a desaceleração, o decrescimento, o despovoamento – o desejo niilista, tão em voga entre nossas elites, por menos pessoas, menos energia e mais sofrimento e morte.”
Andreessen defende que a tecnologia é a base da civilização humana, possibilitando o crescimento, solucionando desafios globais e elevando os padrões de vida. Sua tese central baseia-se na ideia de que o crescimento econômico é essencial para uma sociedade forte e que a tecnologia é o único motor confiável para esse crescimento. À medida que o crescimento populacional desacelera e os limites da utilização de recursos naturais se tornam evidentes, Andreessen sustenta que a inovação tecnológica é a chave para evitar a estagnação, criando novas oportunidades, indústrias e riqueza. São 108 declarações no manifesto. Algumas são exageradas. Uma posição mais sensata, prática e ponderada é desejável. Leia o manifesto na íntegra e tire suas próprias conclusões.

Conclusões

Mudanças climáticas existem, mas os mecanismos naturais continuam desempenhando papel importante na ocorrência de eventos extremos, exigindo análises que considerem múltiplos fatores.
Tragédias climáticas, variabilidade natural do clima, adaptação, governança climática e gestão de riscos, redução da vulnerabilidade social e o fortalecimento da capacidade de adaptação produzem benefícios mais imediatos e mensuráveis do que políticas centradas exclusivamente na mitigação das emissões.
O debate climático contemporâneo frequentemente atribui às mudanças climáticas antropogênicas praticamente todos os eventos extremos e diversos problemas sociais, mas precisamos de uma abordagem mais pragmática baseada em evidências, desenvolvimento econômico e resiliência.
Narrativas simplificadoras podem obscurecer causas estruturais de muitos problemas sociais. Eventos naturais extremos sempre ocorreram ao longo da história da Terra, mas seus impactos dependem sobretudo da exposição, da vulnerabilidade e da capacidade de resposta das sociedades. Assim, o desastre não seria consequência exclusiva do clima, mas da interação entre o evento climático e fatores como pobreza, infraestrutura deficiente, instituições frágeis e baixa capacidade de adaptação.
Previsões climáticas devem orientar planejamento, e não servir apenas como instrumento de comunicação ou alarmismo. A gestão de riscos depende da transformação da informação científica em ações preventivas.
Existem limitações inerentes nas previsões sazonais e é necessário interpretar corretamente previsões probabilísticas. Ao mesmo tempo, destaca que NOAA, OMM e demais instituições oficiais reconhecem elevada probabilidade de um El Niño forte, mas mantêm linguagem probabilística e cautelosa, evitando previsões determinísticas sobre impactos regionais. Precisamos distinguir ciência, baseada em probabilidades, da narrativa midiática.
Desastres climáticos não são determinados apenas pelo clima, mas sobretudo pela vulnerabilidade social, pela infraestrutura disponível e pela capacidade institucional de resposta.
Eventos extremos podem agravar vulnerabilidades, mas a atribuição direta do fenômeno climático como causa principal de problemas sociais historicamente associados à pobreza, desigualdade, baixa escolaridade e fragilidade institucional exigem políticas públicas eficazes que enfrentem essas causas estruturais.
Tecnologia, desenvolvimento econômico e infraestrutura são pilares da resiliência, capazes de reduzir significativamente os impactos de eventos climáticos extremos sobre as populações. A inovação tecnológica é um importante motor do desenvolvimento econômico e da melhoria das condições de vida. O progresso tecnológico desempenha papel central na adaptação climática, na expansão da infraestrutura e no fortalecimento da resiliência.
A adaptação climática deve ocupar posição prioritária nas políticas públicas, pois reduz diretamente perdas humanas, econômicas e sociais, independentemente da evolução futura do clima. A adaptação transforma fenômenos naturais inevitáveis em riscos administráveis, enquanto a vulnerabilidade transforma esses mesmos fenômenos em tragédias humanas.
O maior risco não é apenas a ocorrência de eventos climáticos extremos, mas a falta de preparação da sociedade para enfrentá-los. Previsões meteorológicas, desenvolvimento tecnológico, infraestrutura resiliente e políticas eficazes de adaptação devem ocupar posição central na governança climática, pois é a capacidade de resposta da sociedade que determina se um fenômeno natural se transformará — ou não — em uma tragédia humana.
A história demonstra que a natureza produz eventos extremos; as sociedades produzem desastres. A intensidade das secas, enchentes, tempestades ou ondas de calor pode estar além do controle humano. Já a magnitude do sofrimento delas decorrente depende, em grande medida, das escolhas feitas muito antes da emergência: investimentos em infraestrutura, fortalecimento institucional, redução da pobreza, planejamento territorial, educação, ciência e sistemas de proteção social. O verdadeiro legado das grandes tragédias climáticas não é ensinar como controlar a natureza, mas como construir sociedades capazes de conviver com ela.
O El Niño voltou. E o maior risco talvez não seja o clima, mas a nossa falta de preparação. O El Niño expõe a prioridade esquecida da adaptação climática. O El Niño exige ação, não discursos. O El Niño não mata pela surpresa, mas pela ausência de adaptação. Continuamos planejando como se El Niño fosse uma surpresa. O maior evento climático de 2026 pode não ser o El Niño, mas o choque entre previsão e inação.

Enio Fonseca – Engenheiro Florestal, Senior Advisor em questões socioambientais, Especialização em Proteção Florestal pelo NARTC e CONAF-Chile, em Engenharia Ambiental pelo IETEC-MG, em Liderança em Gestão pela FDC, em Educação Ambiental pela UNB, MBA em Gestão de Florestas pelo IBAPE, em Gestão Empresarial pela FGV. Atual CEO da Pack of Wolves Assessoria Socioambiental, Conselheiro do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico-FMASE. Ocupou as seguintes posições: Superintendente do IBAMA em MG; Superintendente de Gestão Ambiental do Grupo Cemig; Chefe do Departamento de Fiscalização e Controle Florestal do IEF; Conselheiro no Conselho de Política Ambiental do Estado de MG; Presidente FMASE; Gestor de Sustentabilidade Associação Mineradores de Ferro do Brasil; Diretor Meio Ambiente e Relações Institucionais da SAM Metais; Diretor de Responsabilidade Social e Ambiental da ALAGRO; Conselheiro do Instituto AME. Membro do IBRADES, ABDEM, ADIMIN. Articulista do Canal direitoambiental.com.

Linkedin Enio Fonseca

Decio Michellis Jr. – Licenciado em Eletrotécnica, com MBA em Gestão Estratégica Socioambiental em Infraestrutura, extensão em Gestão de Recursos de Defesa e extensão em Direito da Energia Elétrica, é assessor técnico do Fórum do Meio Ambiente do Setor Elétrico – FMASE e especialista na gestão de riscos em projetos de financiamento na modalidade Project Finance. Autor de 27 e-books e coautor de 28 e-books. Articulista do Canal direitoambiental.com.

Linkedin Décio Michellis Jr

Gostou do conteúdo?

Leia também:

Sustentabilidade: Reminiscências do futuro (II)

Além disso, verifique

Mineração no Guaíba: a homologação do zoneamento e o fim de uma paralisia de duas décadas

Por Rodrigo Puente Em 21 de julho de 2026, a Juíza Federal Maria Isabel Pezzi …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *